
3º. Episódio
Quarta-feira, 11/9/2009
Os três investigadores continuavam reunidos, em silêncio, conjecturando sobre os dados que tinham obtido.
De repente o Inspector Monteiro, sacudiu a cabeça como se quisesse afastar dúvidas, e decidiu:
- Meus amigos, apesar dos relatórios que nos deram, vamos tentar compreender o percurso das vítimas, até ao local onde foram encontradas. Porque não localizar os locais? Frederico, você é capaz de, com o computador, nos ajudar a perceber?
Frederico acena que sim, introduz uma palavra-chave do computador, liga-o ao projector, comentando:
- Como podem ver, estou a projectar o mapa da zona onde os corpos foram encontrados. A marca vermelha identifica o primeiro, a verde o segundo.
No mapa a distância não parece grande e de facto não é. O primeiro estava na beira de uma caminho que dá acesso por viaturas à zona do Meco e o segundo num caminho pouco utilizado para a lagoa de Albufeira. A distância do local para a estrada principal que segue para Sesimbra, é sensivelmente a mesma.
Através do Google tentei analisar com mais detalhe as respectivas zonas do achamento. Nada de especial, não há casas na proximidade. Todavia, saindo por um carreiro da estrada que até certo ponto, foi comum para o transporte, encontramos um sucateiro, numa clareira entre as árvores, sem vedação e onde se aglomeram veículos danificados, eventualmente para posterior amálgama.
Oh Frederico, não sei se a Polícia investigou o sucateiro mas acho que nós o devemos fazer. Eu estou convencido que as vítimas não foram executadas no local onde foram encontradas, e um espaço cheio de sucata é o lugar ideal para cometer um crime. No mapa que nos mostraste, eu também vi uma gasolineira, que sei estar aberta toda a noite. Assim o meu raciocínio, concluíu o Figueiredo, é:
- O criminoso raptou as vítimas, imobilizou-as e utilizou a sua própria viatura para os levar até perto do sucateiro. Aí, transferiu-os ainda vivos para o interior duma carrinha,que previamente teria preparado, aplicou o garrote e foi colocar os corpos no local onde foram encontrados. Só depois, utilizando o que pode ser uma navalha, lhe faz a marca no peito e espetou o papel de aviso. Escondeu a carrinha no meio da sucata e andou a pé, mas por estrada alcatroada, até ao lugar onde tinha o carro parado, ou seja, a estação de serviço de que vos falei.
Embora existam muitos “ses” o cenário que o Figueiredo desenhou é aceitável.
Eu sei que já é um pouco tarde e vão apanhar muito trânsito, por isso não percam mais tempo. Eu vou ficar aqui até tarde, se encontrarem alguma coisa podem dar-me um toque e eu esperarei. Mas antes, Figueiredo, se tu te quisesses vingar e decidisses executar pelas tuas mãos o culpado, como é que farias?
Percebo onde queres chegar Monteiro, mas espero que o nosso justiceiro não pense da mesma forma senão...
Eu mantinha-me longe, deixava passar algum tempo e depois apanhava um ou outro delinquente menos perigoso e matava-o, criando a ideia de alguém andava, indistintamente, a fazer justiça. Quando chegasse a vez de eliminar o meu alvo, já ninguém se lembraria de mim.
Pois é, e essa é a minha dor de cabeça. Vá, vão lá ver o sucateiro.
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