
4º. Episódio
Após a saída dos colegas, depois de dar voltas à cabeça, Monteiro lembrou-se que costumava guardar notas que lia na imprensa, relacionadas com crimes. Foi à procura das caixas de arquivo, já eram uma dezena e bem volumosas, começou a ler as notícias.
Muitas estavam desactualizadas, outras por que os crimes relatados não se encaixavam no perfil que ele tinha desenhado. Todavia, encontrou algumas notícias que valeria a pena trabalhar, confrontando-as com a listagem que o Frederico estava ultimando.
Esteve a entretido com a procura e não ouviu o som de uma mensagem no telemóvel.
Já era noite cerrada, decidiu ligar a saber o que se passava. Pegou no aparelho e viu a mensagem curta do Figueiredo, dizendo que estavam de regresso.
Por volta das 22 horas os dois investigadores entraram no gabinete, sentaram-se com evidente alívio, olham um para o outro, como a decidir quem devia falar.
Foi o Figueiredo, dizendo: - Oh Monteiro, creio que nem vale a pena perguntar, mas tu já foste jantar? É que nós não, e o que temos para dizer pode tomar algum tempo. Vamos comer qualquer coisa?
Embora a contragosto, o Inspector aceitou a sugestão, sublinhando que não tinha muito apetite mas faria companhia.
Jantaram e evitaram falar da investigação. Monteiro desconfiava que eles tivessem encontrado qualquer pista e por isso estava ansioso por voltar ao gabinete.
Sentindo isso e como a sua amizade lho permitia, Figueiredo chamou a atenção do chefe:
- Olha Monteiro, nós estamos os três medidos do mesmo barco, quer dizer que daremos o melhor para deslindar o caso. Haverá, certamente, momentos de tensão que nos irão tirar o sono, mas não são estes. Porém eu vejo em ti sinais de muito cansaço e são preocupantes.
Tens as tuas razões para a instabilidade, eu sei, para tens de parar esse teu frenesim ou então acabarás como uma depressão às costas.
Nós confirmámos algumas das nossas suspeitas, é certo, mas também só isso. Vamos deixar o assunto para amanhã, valeu?
Se vocês já combinaram assim, eu espero mas isso não me vai ajudar a descansar. Não vou beber café nem digestivos, vou para casa e não se esqueçam de guardar a factura do jantar. Até amanhã, por voltas da 9 horas.
Frederico surpreendido com a reacção do Inspector comentou que ele parecia ter ficado zangado.
- Ficou mesmo, principalmente, consigo próprio, respondeu o colega.
Sabes Frederico, ele não gosta que eu lhe lembre que, foi por causa da sua obsessão com o trabalho, que o casamento acabou. A Mariana cansou-se, saiu de casa e pediu o divórcio. Vive no Porto e ficou com a tutela dos dois filhos, um rapaz de 17 e uma rapariga com 13 anos. O Inspector só vê os filhos de acordo com a Lei.
Eu sei quanto a reparação lhe doeu, a mais agora, porque a ex-mulher já refez a sua vida com outro homem.
O Monteiro é muito orgulhoso e não é fácil para ele pedir ajuda, por isso a sua terapia é o trabalho, mais trabalho, para não pensar na vida que deixou fugir.
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