A
GUERRILHA
Correram
enquanto as forças não os abandonaram. Tinham atravessado a estrada e confiavam
que estavam a dirigir-se para a fronteira de Portugal. Mas o caminho era a cada
momento mais difícil, e foi com lágrimas que não conseguiram suster, que se
sentaram debaixo duma árvore. No seu íntimo sentiam uma voz que lhes anunciava
o fim da jornada mas, num repente, o irmão mais novo, reganhou forças,
levantou-se e disse:
-
Eu também estou esgotado para não vou desistir. É noite, está frio e temos
fome, mas quantas vezes não vivemos dias iguais? Repara, até temos alguma
sorte, a árvore que nos cobre é um castanheiro, se tu conseguires com a tua
navalha cortar arbustos faremos uma cabana como aquela que fizeste na serra de
S. Mamede onde começou a nossa aventura. Depois vamos acender uma pequena
fogueira e as castanhas que eu vou procurar serão a nossa ceia. É noite
cerrada, estamos no meio duma mata densa, ninguém nos vai encontrar e pela
manhã, seguiremos o sol, ele indicará o nosso caminho. Vamos a isso?
Pela
primeira vez dormiram, comeram castanhas assadas. Foi um banquete no final de
uma aventura de dois dias para esquecer. Acordaram e viram a luz do sol. Ia
começar um novo dia, o dia do regresso a casa. Todavia não era momento feliz.
Tinham partido para salvar duas crianças e regressariam de mãos vazias.
Foi um retomar do caminho, andando por uma
vereda meio abandonada e que serpenteava pela serra acima.
Mas,
a sua aventura não iria terminar sem mais um sobressalto. A meio da encosta
foram mandados para por dois homens armados que os conduziram ao alto da serra,
uma clareira entre rochas onde encontraram mais homens armados.
Não
sentiram medo, já nada os admirava. Aquele grupo de pessoas só podia
representar a resistência, a guerrilha.
Surpresa
foi quando uma mulher se apresentou como comandante e quis saber o que faziam.
E
António contou. Procuravam salvar duas crianças, e apenas sabiam o nome do
homem que os iria guiar, Chama-se Alonso, e apenas sabemos que é um desertor.
A
comandante sorriu e disse:
-
Vieram ter ao sítio certo. Alonso é um dos guerrilheiros que me acompanha. As
tropas do Franco estão a colocar-se na base da serra para o ataque. Mas nós
estamos prontos e eles vão encontrar o caminho da fuga, mais depressa do que
julgam.
Depois,
falaremos sobre a ajuda para a vossa missão. Confiem em nós.
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