14 – O DIA “D”- SÁBADO
Em Londres escolheu da sua agenda de contactos, quatro operacionais, que já conhecia e nos quais depositava confiança.
Entrevistou um por um em dias e locais diferentes. A missão era objecto de notas separadas e cada um tinha a sua.
Todos sabiam o que fazer, fizeram o seu preço e ficaram aguardando a ordem de partida.
Seguiriam para o sul de França, como turistas a passar duas semanas de férias em Nice. Na altura entregou as chaves de um apartamento que alugara, sob um nome falso, nos arredores da cidade.
Era naquela morada que seriam entregues as armas, os explosivos, os telemóveis descaracterizados, os óculos para visão nocturna e fatos de mergulho, erc. que Pedro havia encomendado a um fornecedor de confiança.
O dia D e a hora H seriam comunicados com uma antecedência máxima de duas horas, pelo que teriam de estar em alerta, preparados para responder com a eficácia de um comando. Erros ou atrasos não, o incumprimento de uma tarefa individual, poria em risco a missão e a vida dos camaradas.
Pedro aproveitou a sua estadia em Londres para rever a planificação e contratar mais um outro elemento para a equipa. Deveria ser uma mulher vistosa, que surpreendesse e despertasse o interesse dos suspeitos.
Optou por chamar “Jezabel”, convidando-a para passar alguns dias de férias no Mónaco, mas preparada para festas e outras actividades… O alojamento estava escolhido, era o apartamento de “Monte Carlo” e o dia 18 de Setembro a data recomendada para se apresentar.
Nas entrevistas que tivera, todos ficaram a saber o objectivo. Tomar de assalto um “yacht” de luxo, fundeado ao largo do Mónaco, em data a confirmar.
Pedro tenha consciência das dificuldades mas, sabia, que com uma coordenação eficaz, a operação decorreria sem problemas. Por isso, reviu mais uma vez o plano e monitorizou as operações de segurança em torno da embarcação, identificando todas as pessoas que circulavam no convés. Para além do dono e do seu assessor, alvos a neutralizar, identificara um piloto e um co-piloto, dois tripulantes efectivos e três seguranças armados que se revezavam, dia e noite, movendo-se entre a proa e a popa do barco.
Quando havia festas a bordo e como segurança, o barco lançava âncora ao largo. Os convidados eram transportados em lanchas de e para o cais.
Foi com base do conhecimento das rotinas que Pedro elaborara o plano individual de intervenção, que mais uma vez passava em memória:
- No dia marcado, o operacional número 1, atirador de elite, armado com uma carabina de longo alcance, visão nocturna, e silenciador, devia ocupar o local assinalado no mapa, um edifício de escritórios sobranceiro à baía. Após receber um sinal no seu auscultador, teria de eliminar o segurança que se deslocava ao longo da amurada.
- Os operacionais 2, 3 e 4, alugariam duas viaturas com vidros fumados que esconderiam na costa, próximo da localidade de “Saint Jean de Cap Ferrat” e uma lancha sem piloto para fazerem pesca submarina.
Andariam a navegar nas imediações do alvo e na hora H, tomariam o controlo do barco, executando quem resistisse. Os outros tripulantes e os convidados seriam fechados no salão e guardados à vista. Assaltariam a cabine de comando, destruindo todos os instrumentos de comunicação e de navegação.
- Pedro e “Anne” estariam a bordo, no grupo de convidados. Na altura do assalto, assumiriam a condução da operação, com a captura dos principais suspeitos e a recuperação dos meios informáticos que presumiam existir.
Todo o grupo mais os dois prisioneiros, seria transportado para a lancha de ataque e dali para o local das viaturas.
Ali, Pedro e Anne, seguiriam para o seu destino, escoltando os dois suspeitos e os equipamentos apreendidos. Os outros três operacionais regressariam como em regresso de férias.
O cronograma estava feito e os tempos de actuação definidos ao minuto.
No dia 24 de Setembro de 2004, sexta-feira, Pedro foi convidado para a festa no “yacht”.
Era a oportunidade que esperava, compareceu acompanhando pela amiga.
O “yacht”, como habitualmente deslocou-se para fora das águas do porto e fundeou.
A festa começou, muita bebida e muita animação e uma mesa de poker para a desforra prometida. Pedro começou a perder, fez algumas jogadas arriscadas e correram mal. Pediu um minuto para se recuperar, foi fumar um cigarro para a amurada e lançou o aviso. Dia D, sábado, Hora H, duas da manhã. Voltou ao jogo.
A festa continuou e o assalto consumou-se como planeado.
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