terça-feira, 24 de maio de 2011

O EXECUTOR

24 – AJUSTE DE CONTAS

Pedro começou a preparar o jogo. Tinha que se preparar para mentir, dissimular, fazer bluff escondendo o que sabia, porque isso era a sua vantagem.
Arranjou maneira de copiar toda a informação que guardara no arquivo escondido e fazer o seu envio postal para o seu endereço, uma caixa postal em Lisboa. O arquivo original guardou no cofre da recepção do hotel.
Recebeu a chamada para o encontro. O local seria um restaurante francês na West 51 street e numa sala reservada para as 21horas. A reserva estava feita no nome de Mister Conti. Pedro declinou a oferta de transporte. Iria pelos seus próprios meios.
Como sempre fizera chegou bastante mais cedo. Escolheu um lugar para vigiar a entrada. Havia muito movimento e isso deixou-o tranquilo. Um restaurante onde via entrar tanta gente seria, certamente, mais seguro do que o local que havia custado a vida de Gabriela.
Deu pela chegada de Richard com um passageiro, pararam, entregaram as chaves do automóvel ao porteiro e entraram para o Restaurante. Pedro olhou para o relógio, faltavam poucos minutos para as 21 horas e calmamente também entrou.
Na entrada, numa sala bar, Richard e o companheiro aguardavam sentados ao balcão tomando uma bebida. Pedro aproximou-se, cumprimentou o amigo que lhe apresentou o companheiro, Bill Conti. Este era um homem de meia idade, alto, cabelos negros já a rarear o que contrastava com a juventude e cabelos ruivos do amigo.
Foram acompanhados pelo chefe de mesa para uma pequena sala reservada, com uma mesa para três pessoas e um empregado sorridente, pronto para os servir.
Durante a refeição, trocaram frases de conveniência e um ou outro sorriso forçado. Pedro sentia o ambiente tenso, já o esperava, mas não deu o primeiro passo. Aguardou.
Foi Richard que abriu a conversa, dizendo:
- Pedro, o senhor Conti é o Director da Agência, responsável pelas operações no estrangeiro. Ele conhece a tua intervenção e a tua ligação a uma Organização, que de facto nos tem prestado alguns serviços. Como podes perceber, o que me contaste e o triste acidente com a tua mulher, são muito importantes, podem consubstanciar uma falha, grave, com uma intrusão no nosso sistema informático.
Por isso, nós gostaríamos de te ouvir falar da tua experiência e saber se nos podes facultar provas ou indícios, que nos ajudem a localizar a intrusão e a identificar os seus autores.
-Sabes Richard, retorquiu Pedro, a minha companheira morreu porque desconfiou duma armadilha preparada para mim. Só três pessoas sabiam o local do encontro. Eu, a minha mulher e o Director de Operações da Organização. Foi tudo combinado num e-mail, que indicando a origem não tinha autentificação. Todavia para mim é claro que foi da Organização que partiu a ordem para me eliminarem.
Mas tu já sabias isto, quando clonaste o meu computador, acedeste à pasta da correspondência. Ou estarei enganado?
Foi o Senhor Conti que continuou a conversa.
- Senhor Pedro Dias, como deve imaginar eu aceitei vir a este encontro para entender e solucionar. Não sei nem quero saber se alguém teve acesso ao seu computador. Devo dizer que a Agência já localizou o intruso, ele foi despedido e irá responder em Tribunal. Eu entendi o que se passou e assumo a responsabilidade pela quebra de segurança. Agora quero solucionar e proponho:
- O senhor é autorizado a sair do País e levantar os restos mortais da sua mulher, sem enfrentar obstáculos por parte Polícia;
- Se entender que dinheiro é importante, podemos chegar a um valor simpático;
- Em contrapartida entrega-me a mim, directamente, todos os ficheiros relativos à sua participação nas operações encomendadas pela Organização. Quando digo todos é mesmo todos.
Pedro sorriu, comentando:
-Meu caro senhor Conti, parece-me que há uma inversão de que o senhor nem se deu conta. Sou eu que lhe posso oferecer uma solução. Porque eu sou a parte lesada; Eu perdi a minha mulher; Eu fui traído por um amigo; Eu corri riscos e sempre cumpri; Da minha parte não houve falhas. E o senhor pode dizer o mesmo?
Sinceramente não creio.
- A minha proposta inegociável Senhor Conti, é:
- Exijo receber um documento, assinado onde seja feita a identificação da pessoa responsável pelo assassínio da minha mulher;
- Exijo saber quem subverteu a operação do assalto ao barco, e porquê, e quem protege os traficantes que foram detidos durante a abordagem.
- Finalmente, e funcionando como uma indemnização por danos físicos e morais, reclamo o valor de cinco milhões de dólares, que deverão ser transferidos para a conta que já consta nos vossos ficheiros.
Quando tudo estiver cumprido, o senhor receberá, posso garantir, os ficheiros que procura.
E para evitar confusões, Richard explica ao teu patrão que eu não sou um amador.
Amanhã irei identificar na morgue o corpo da minha mulher, acompanhado pelo Detective Cole. E lembro que este Polícia é competente.
Depois, gostaria de sair até final da semana.
Gostei da conversa. Não creio que nos voltemos a encontrar, senhor Conti.
Salvo se…

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