sábado, 14 de maio de 2011

O EXECUTOR

19 – A PISTA AMERICANA

Seguiram para Londres em meados de Fevereiro. Pedro queria aprofundar algumas suspeitas e Gabriela queria revisitar a cidade. Escolheram um confortável e amplo apartamento, com vistas para o rio, muito perto da torre de Londres.
Pedro não perdeu muito tempo à procura dos seus contactos. Estava tão enamorado que nada mais era importante.
Era a continuação da lua de mel, tempo de amar e esquecer o passado, e assim passearam pela cidade, saíram para uma ou outra bebida, foram ao teatro, partilharam segredos e desejos, como qualquer casal de namorados.
Mas quando alguém pensa que o passado morreu, eis que ele volta, muitas vezes num rosto que se revê, numa figura que se vislumbra ou numa notícia que se lê.
E foi assim, quando menos se esperava!
Passeavam os dois no “Regent Park”, o dia estava cinzento e frio mas não chovia. Sentaram-se num banco, atirando migalhas de pão aos patos e gansos que deslizavam sobre as águas do pequeno lago. Muitas pessoas passeavam no local, a maioria eram turistas, equipados como a habitual câmara de vídeo. Um casal, asiático, mas falando num inglês quase perfeito, pediu que Pedro os filmasse, de mãos entrelaçadas e trocando um beijo. Compreenda disse o homem, esta é nossa primeira viajem e hoje o nosso último dia em Londres, pelo que gostaríamos de levar mais esta recordação.
Quando Pedro procurava o melhor ângulo para filmar, um homem passou na sua frente, e no mesmo instante ele reconheceu-o. Pediu a Gabriela para terminar a filmagem e para esperar por ele, deu uma pequena corrida, chegou junto do imprevidente passeante, pegou-lhe num braço, dizendo:
- Então Daniel já não conheces os amigos?
O interpelado encarou Pedro, olhou como se quisesse fugir, mas este com a mão férrea, tinha-lhe imobilizado o braço.
- Não fujas, penso que tu tens qualquer coisa para me dizer e vais contar agora.
Daniel encarou-o com surpresa, e murmurou:
- Tu aqui, disseram-me que tinhas sido morto em Génova! Abriu o casaco, retirou a carteira e pegou num cartão que entregou a Pedro. O que te posso contar, não o devo fazer aqui na rua. Acredita em mim, liga-me logo mais, bebemos umas cervejas e eu conto tudo. Confia, sabes que eu não tenho motivos para te trair.
Pedro aceitou a proposta, soltou o braço e voltou para se juntar a Gabriela. Contou o que soubera. Aquele indivíduo, explicou, tinha sido contratado para fazer parte da equipe da operação no Mónaco. Era o atirador que tinha como tarefa eliminar o segurança do “yacht”.
Vou falar com ele, espero perceber o que aconteceu, quem me traiu e porquê!
Gabriela olhou o rosto subitamente fechado do companheiro, percebeu que, no fundo, ele não esquecera.
Pena, tinham sido uns dias maravilhosos, julgava que o passado estivesse enterrado mas, afinal ele estava à superfície. Com ar triste mas decidido, pediu:
- Pedro, se a verdade é tão importante para ti, se isso contribuir para a tua paz interior, acho que deves ir e eu gostaria de estar contigo. Prometemos estar juntos no bem e no mal. Agora é a altura de o provar.
Encontraram-se num “Pub na zona de “Chelsea”. Conversaram sobre a operação. Em data altura, Daniel entrega a Pedro uma disquete de computador, dizendo:
- Olha o que eu sei, está nesse ficheiro. Eu estava no carro que te bloqueou a passagem e forçou o teu acidente na estrada a caminho Génova. Comigo iam mais dois homens que não conhecia. Em Génova eu fiquei, os outros, com os prisioneiros e a Júlia, embarcaram num barco de pesca e desapareceram.
Presta atenção, a Júlia disse que te tinha abatido. Mas alguém pode ter-te localizado e julgar que representas um perigo.
Há muita gente interessada em encontrar os dois mafiosos que retiraste do barco. Gente da Itália e da Turquia. Foram eles os enganados. Nas fotografias aparece gente que tu conheces, mas um eu nunca o vi. Sei que era o companheiro de Júlia, que tu conheceste sob o nome de “Anne” e que terão vivido em Nova Iorque, ligados a uma família importante, do tráfico de heroína.


Sem comentários:

Enviar um comentário