quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

OS CRIMES DO X




9º Episódio
Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009 – 17 horas

O Inspector Monteiro foi o primeiro a chegar. Estava a reler um relatório e tão embrenhado na leitura que, aparentemente, não parecia ter-se apercebido da entrada dos colegas. Estes foram ocupar os lugares habituais e olhando para o chefe, mantiveram-se em silêncio.
Monteiro acabou de ler a última página do documento, tirou os óculos que limpou com cuidado e dando mostras de estar inquieto. Fez uma pausa e com a dúvida patente no rosto, comentou:
- Sim senhor, ou alguém anda a brincar connosco ou a nossa teoria de crime por vingança, não cola. Vejam o currículo da vítima desta manhã, e digam-me se eu estou enganado.
Figueiredo deu o relatório ao Frederico, dizendo que era melhor ser ele e ler em voz alta porque, uma leitura serena, vai ajudar a limpar arestas.
Frederico começou a ler, pausadamente como lhe tinham pedido.

“Identificação:
Yuri Marchenko, morador no nº. 86, 8º. Andar, na Rua David Ferreira em Lisboa. Também conhecido por Yuri Montour, com residência na cidade do Porto mas em local não identificado.
Segundo o SEF é oriundo de uma das antigas Repúblicas Soviéticas, mas usa passaporte Comunitário emitido na Bélgica, onde viveu e casou há algum tempo atrás.
Diz ter trinta e oito anos de idade, aparenta ter mais de um 1,80 metros de altura e ter uma compleição física notável.
Actividade: Em 2005 fixou-se em Portugal, saindo da Bélgica por suspeita de estar envolvidos em negócios pouco claros.
No nosso País os serviços começaram a ouvir falar dele em 2007, altura em que é conhecido por ligações a gente poderosa no mundo da noite.
É suspeito de tráfico de mulheres para os regimes do Golfo; tráfico de armas e já com algum peso no mundo do tráfico de droga.
Suspeita-se que pertence á máfia russa mas estabelecida na Hungria ou República Checa;
Julga-se ser ele o proprietário de casas de alterne em diversas zonas do norte do País, embora tenha o cuidado de permanecer na sombra, aparecendo como responsáveis, pessoas de sua confiança.
Nunca foi incriminado.
Circula entre Lisboa, Porto e Algarve num veículo Mercedes, preto, modelo 63 AMG e com matrícula Belga RHJ 9274.
É acompanhado por um motorista e por um guarda-costas, ambos de nacionalidade Portuguesa.”
Frederico ia continuar a ler mas o Inspector interrompeu, porque a parte fundamental estava lida. O resto, dizia, são opiniões subjectivas.
Pronto, foi este cidadão “exemplar” que foi despachado esta madrugada. Espero os vossos comentários. Figueiredo és o primeiro:
- Eu em boa verdade, mantenho o que já disse anteriormente; acho que algum concorrente limpou o russo, ou belga, eu sei donde é que ele veio, e aproveitou para camuflar o crime, aproveitando o impacto dos notícias sobre o "vento divino", e os comentários e opiniões emitida por alguns entendidos. Se for assim, talvez o nosso trabalho seja mais fácil.
-Frederico e você:
Eu não dou muita importância a envergadura da vítima. De surpresa e com um garrote bem colocado e com as facadas no abdómen, ele não teria hipóteses.
Não sou muito experiente, vocês sabem, mas quando se trata de ajude de contas entre criminosos organizados, ele não pensam em camuflagem. São dois ou três tiros e acabou-se.
Então qual é a tua tese, pergunta Figueiredo?
- Eu acho que devemos continuar a seguir a pista do crime por vingança. O currículo dele é inconclusivo, mas deve ter feito mal a muita gente. E depois a tatuagem pode dizer muito.
Eu concordo com o que o Frederico disse, e lá vamos chegar a executores frios e muito inteligentes. Mais, para mim, este era um alvo, rematou Inspector.
O que me pergunto é se os predadores vão ficar por aqui?

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