quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

OS CRIMES DO X







16º. Episódio

Lisboa, Domingo 15 Novembro 2009

Vítor Monteiro saiu do restaurante do hotel Tivoli já perto da meia-noite. Enquanto descia a Avenida até ao lugar onde tinha estacionado o automóvel, foi relembrando o prazer que sentira, ao falar com um mulher que sabia ouvir, que tivera sempre um sorriso nos lábios e um olhar que não se escondia.
Era estranho, nunca se haviam encontrado, ele nem o nome dela sabia a direito, mas não conseguia deixar de pensar naquele encontro.
Sacudiu a cabeça, como se quisesse afastar pensamentos, pois sabia que estava num momento difícil da vida, muito vulnerável a questões sentimentais. Precisava de tomar precauções, para se não deixar envolver, com uma mulher que mal conhecia.
Continuou a andar e nem se apercebeu que já deixara para trás o automóvel. Parou quando chegou aos Restauradores. Que cabeça a minha, murmurou, pareces fascinado por uma miragem.
Voltou a subir a Avenida, afinal o carro estava parado mesmo em frente da porta do hotel. Sentou-se ao volante, ligou a ignição e lembrou-se que se esquecera de dar o seu cartão de visita. Palerma pensou, e se ela te quiser ligar?
Conduziu a carro para casa mas a dúvida persistia. Encheu-se de coragem, parou e ia ligar um número. Discou dois ou três números, parou e fechou o telemóvel. De repente, tomou consciência que estava a ser precipitado. Durante a maior parte da conversa, deixara de ser polícia, esquecera a investigação e acabara por ser apenas, um homem só.
Sentou-se ao computador, e esteve horas a pesquisar jornais que pudessem trazer uma notícia sobre a morte da jovem estudante do Porto. Provavelmente, o assunto era tão banal que nem merecia uma notícia. Mas quando desesperava olhou para a página da necrologia e encontrou:
- Alice Maria Cardoso, Manuel José Matos Pires, Madalena Cardoso Matos Pires.
Agradecem a todos os amigos o apoio e a amizade, com que nos ajudaram a ultrapassar os momentos dolorosos, com o sofrido falecimento de sua filha e irmã Maria Luísa Cardoso Matos Pires.
Tentou obter o número de telefone e a morada. Teve sorte, tinham um telefone fixo e isso ajudou.
Era Domingo mas levantou-se cedo, foi para o aeroporto e comprou bilhetes de avião Lisboa/Porto/Lisboa para o primeiro voo e regresso no último. Foi uma decisão no momento, não pensara sequer o que fazer. Fazer uma visita, a que propósito?
Justificando que investigava a morte do responsável pela tragédia da família, até corria o risco de ser mal recebido.
Mas foi. Ainda não era hora do almoço e pensava poder encontrar toda a família em casa.
A casa era uma vivenda de dois pisos, numa zona residencial da classe média/alta. Tocou a campainha e a porta foi-lhe aberta por uma empregada. Monteiro identificou-se e informou que apenas pretendia um pouco do tempo do dono da casa.
A empregada pediu para aguardar um pouco no vestíbulo, que era iria pedia à menina para o vir receber.
A menina, teria cerca de trinta anos, era alta e aparentava um ar decidido. Apresentou-se:
- O meu nome é Madalena Matos Pires, a minha Mãe está perturbada e a descansar e o meu Pai vive num mundo que é só dele. Portanto, qualquer que seja o assunto que traz aqui, é comigo.
Vi no cartão que entregou à empregada, que o senhor é Inspector da Polícia Judiciária de Lisboa, e só por isso o recebi. É que presumo, esteja a investigar a morte dum canalha que arruinou esta família. E o que espero ouvir de si, não é que já encontraram a pessoa ou pessoas que o mataram. Não lhe será tarefa fácil, pois candidatos, serão centenas. O que espero ouvir de si é porque é que os guarda-costas eram Polícias? Porventura, eram os mesmos que me denunciaram, quando pedi a ajuda e foram indirectamente cúmplices da morte da minha irmã?
É isso que me vem dizer?
- Minha senhora, sei que o homem morto a semana passada em Lisboa fez mal a muita gente. Como reconhecerá ninguém tem o direito de fazer justiça pelas próprias mãos. Eu cumpro o meu trabalho que é encontrar os suspeitos, não que me cabe julgar. Isto é o que se exige num mundo civilizado.
Sim senhor Inspector, gostei das palavras. Ficam-lhe bem, mas em nada o posso ajudar na sua investigação. Só dizer-lhe que tenho muita pena, mesmo muita pena, de não ter sido eu a executar aquele verme.
Não sei se tem mais alguma coisa para perguntar, porque eu não tenho repostas para lhe dar. Muito obrigada pela sua visita. Lamento tenha vindo de Lisboa e a um Domingo importunar, em casa, uma família destroçada. Eu acompanho-o à porta, se fizer favor.
Pois é, sussurra entre dentes, ao sentir-se escorraçado. De alguma coisa serviu a viajem. Madalena é inteligente, dura e não tem medo das palavras. Se tivesse algum indício, ela seria a minha suspeita.

Sem comentários:

Enviar um comentário