terça-feira, 22 de março de 2011

POR AMOR

7 - VIVER É MELHOR QUE SONHAR

Contudo estava inquieto. Havia qualquer coisa que não percebia. Admitia que talvez tivesse aceite o convite, apenas fascinado por Joana. Agora receava que o fascínio fosse o começo de uma relação, que ele na verdade temia.
Levantou-se, mudou de roupa, pegou no computador portável, verificou que a bateria estava ok e saiu para a rua.
Pensava dar um passeio, encontrar um lugar para completar o projecto de um livro que tinha em aberto. Encontrou um lugar apropriado, longe da estrada, sentou-se e começou a escrever o último capítulo. Ainda não tinha escolhido o nome para o livro. Lera e relera, alterara e modificara o texto, mas o nome não lhe havia surgido. Desesperado porque na cabeça, começava a desenrolar-se outro romance, rematou aquele em que escrevia, dando-lhe o nome em que mais vezes pensara. Escreveu o título, “O Capítulo Final”. Guardou as alterações, fechou o portátil olhando para um lado e para o outro, sem saber onde poderia encontrar um lugar para comer. Já não comia há muito tempo e o estômago reclamava.
Voltava apressado para a aldeia, quando ouviu um chiar de pneus. Era Manuel ao volante de uma carrinha de caixa aberta, fazendo-lhe sinal para aproveitar a boleia. Acabava de se sentar e fechar a porta da cabine e já o condutor fazia inversão de marcha, dizendo:
- Meu amigo, nem preciso de lhe perguntar nada, o seu ar é de quem está cheio de fome. E eu também. Vamos ali adiante, há lá um pequeno restaurante de estrada, é alguma coisa há-de haver para comer.
Enquanto aguardavam o pedido, entre um copo de vinho tinto e um pedaço de pão com azeitonas, Manuel confessou:
- Senhor Luís, a minha irmã contou a sua aventura da casa na colina. Pediu para eu mandar fazer a limpeza e as algumas reparações na casa, naturalmente se o meu amigo estiver de acordo. Não se preocupe, a despesa será pequena.
- Claro que lhe agradeço a sua ajuda, pode avançar com o que for preciso, só peço que seja breve, porque não queria estar a ocupar por muito tempo, a casa da sua irmã, respondeu.
- Quanto a isso não esteja preocupado, a minha irmã apenas ocasionalmente habita a casa e quando lhe abriu a porta, deu provas de confiar em si. A Joana não é muito conversadora, tem lá as suas manias, mas quando gosta de uma pessoa, gosta mesmo, sem fingir, que é coisa que ela não sabe fazer. A propósito ela lembrou-me de lhe dar o número de telemóvel, tome nota por favor e já agora também do meu. Já sabe que aqui funcionam, lá no alto do monte é que não.
Permita lhe dê um conselho. A Joana é muito sensível e sonhadora e por isso já sofreu. Pense nisso, eu tenho a certeza que o senhor percebe o que eu quero dizer.


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