9 – A NOITE
O táxi parou junto do terminal de autocarros. Estava prevista uma partida para Lisboa, dali a hora e meia.
Entretanto o sol começara a esconder-se no horizonte. Tinha sido um dia algo nebuloso, mas o brilho dos últimos raios de sol eram o presságio para uma noite serena, atapetada de estrelas.
Luís abandonou o terminal e ao lado, encontrando um café com esplanada, sentou-se e pediu um café. Voltou a acender um cigarro, e esse simples gesto e a prova que estava outra vez, hesitante e perdido.
Quase por instinto abriu o telemóvel. Tinha duas mensagens mas nenhuma era a que ansiava. Todavia ao ler o conteúdo, o remetente era o mesmo, ficou satisfeito. Eram da sua Editora informando que o seu romance, “Perdidos na Vida” tinha sido enviado para publicação com uma tiragem inicial de dois mil exemplares. Informava também que havia interesse de uma Produtora em comprar os direitos para futura adaptação para uma série para Televisão.
Dois mil exemplares já são um número simpático pensou, vamos a ver como vai ser a reacção da crítica e do público leitor. E se confirmar a venda dos direitos, já poderei considerar ter tido um proveito aceitável para um ainda pouco conhecido autor. Era o segundo romance que publicava, o primeiro tinha sido uma agradável surpresa, com críticas favoráveis e bom acolhimento do público leitor. Todavia os proveitos financeiros não tinham tido grande expressão.
A outra mensagem, também da Editora é a reclamar pelo atraso de entrega, já prometida, das provas do terceiro livro.
Tenho tempo pensou, quando chegar a Lisboa resolverei estes assuntos.
Quando chegar a Lisboa? A frase ficara a arrastar-se na memória. Porque, de repente, tomara consciência, que estava simplesmente fugindo. Doía reconhecer que a decisão era apenas uma manifestação de medo. Queria fugir porque se apaixonara à primeira vista e com tanta intensidade que, receava o desfecho. Podia ser mais uma armadilha da vida.
Nem nos livros que escrevera, havia desenhado uma personagem não indecisa e vulnerável como ele.
Precisou de ganhar coragem para reconhecer que não podia virar as costas ao destino. Queria lutar pela mulher que não lhe saía do pensamento. Não queria perder uma oportunidade de ser feliz. Chamou um táxi e regressou à praça donde não deveria ter saído.
Envergonhado, o motorista era o mesmo, pedira que o deixasse junto à porta de casa. Saiu e foi, tremendo, procurar a chave que deixara debaixo do vaso de flores. Procurou bem mas não a encontrou. Ficou paralisado por um suor frio.
Mas, o destino não fora cruel, a porta abriu-se e Joana afastou-se para ele entrar. Sem uma palavra, apenas disse, vem.
A ele nada ocorria para dizer, mas no seu rosto era evidente o alívio e a alegria. Mas continuava sem encontrar palavras.
Nem era preciso, porque Joana guardava junto ao peito a carta de amor que ele tinha deixado.
Já tudo tinha sido dito, nada mais havia que dizer.
Os lábios frementes fundiram num profundo beijo. Era noite, a noite em que se entregaram com amor e paixão.
Joana murmurava ao ouvido: Hoje eu quero a rosa mais linda que houver e a primeira estrela que vier para enfeitar a noite do meu bem…”
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