5 – Nunca dizer Adeus
A semana pareceu longa, os dias monótonos as noites agitadas.
O trabalho que antes era o seu lenitivo passou a ser fastidioso, repetitivo. Muito trabalhou, mas mal, a maior parte acabou no caixote do lixo.
Estava agitada, parecia uma jovem adolescente na véspera de um encontro de amor. Irritadiça e com pouca paciência para enfrentar o dia a dia.
Mas o sábado chegou. O dia nasceu com uma luz diferente, o sol um pouco tímido surgiu e acalmou a sua impaciência.
Era noite quando, finalmente, recebeu uma mensagem no telemóvel. Ricardo propunha passar dentro de meia hora.
Não ficou muito agradada, receber a mensagem daquele modo, com uma linguagem tão seca, para um encontro que Ricardo quase suplicara, uma semana atrás? Não acreditava ou era falta de atenção ou de sensibilidade. Ela investira muito de si mesma naquele encontro, preparara-se mentalmente para ele, mas iria dizer não.
E foi o seu primeiro impulso, respondendo à mensagem com um frio não, hoje não estou disponível.
Sem acrescentar nem mais uma palavra. Ficou abalada e revoltada consigo própria. Sentiu que Ricardo a convidara num impulso, aproveitando a fragilidade de uma mulher só e carente. Nem considerava ter sofrido uma desilusão, tanto entusiasmo é que tinha sido um erro. A voz interior bem a tinha avisado, tem cuidado.
O telefone voltou a tocar, Maria Fernanda reconheceu o número, era Natércia. Atendeu e ouviu.:
- Fernanda, o Rafael e o Carlos Alberto propuseram repetir o programa da semana passada. Eu estou de acordo, mas eles querem muito contar contigo. Vem daí, como percebeste eles são bons amigos, divertidos e sem compromissos. Sentem-se bem na nossa companhia e não o escondem.
Maria Fernanda nem pensou duas vezes, respondeu sim..
Na primeira noite, ainda tinham sentido algum constrangimento. Desta vez todos estavam mais descontraídos e a noite foi mais alegre e mais comunicativa. Riram com as desventuras amorosas do jovem Carlos Alberto, que se entregava com facilidade e acabava rejeitado. Como ele dizia, sentia-se descartável, usado e deitado fora.
No final da noite, música e calor, fundiram-se no momento de êxtase e desejo que não quiseram ou quiseram evitar.
Carlos Alberto parou o carro à porta e desligou o motor. Maria Fernanda, com a boca sequiosa e olhos inquietos, esqueceu o passado e quis viver o momento como se nunca tivesse de dizer adeus.
Sem comentários:
Enviar um comentário