6 – O meu Amor
Acordou com um homem deitado consigo. Estava na sua cama em sua casa. Não tinha que se esconder, pela primeira vez iria assumir aquele encontro. Era livre, sentia-se livre e feliz. Não a preocupava a diferença de idades, o futuro seria o que eles quisessem que fosse. Sem mentiras, sem compromissos escondidos.
A relação duraria enquanto ambos a desejassem, sem obrigações, apenas condicionada pelo querer.
Antes de adormecerem, passado o efeito afrodisíaco daquele momento e saciado o desejo, tinham conversado sobre o futuro.
O companheiro fazia juras de amor eterno. Maria Fernanda respondia que isso não existia e nem o exigia. Só continuariam juntos, partilhando o corpo e o espírito enquanto ambos estivessem felizes. Mentira não haveria, nem o hábito cómodo duma companhia, tampouco o amor fingido.
Foi Carlos Alberto quem lhe lembrou Ricardo. Olha, eu quero que saibas algo que não é simpático para que não quero esconder. Ricardo costuma exercitar os sues dotes de conquistador, perante toda e qualquer mulher que lhe apareça no caminho. Nós já o conhecíamos e sabíamos a razão porque a mulher o tinha abandonado. Ele é um conquistador compulsivo, mas é inconsequente. Percebes? Teria sido para ti uma grande desilusão, acredita.
Maria Fernanda não reagiu ao que acabara de ouvir. Desde o princípio, e apesar do encantamento, sentira qualquer coisa estranha, não imaginava o quê.
Agora só receava o comportamento da Mãe, tão imprevisível. Estava preparada para sair para um lugar seu, que pudesse compartilhar com o companheiro, sem constrangimentos.
Tomou um duche e foi à cozinha para tomar o habitual copo de leite. Encontrou a Mãe sentada da mesa da sala, tomando o pequeno almoço e lendo um romance, com um ar tão deliciado que a surpreendeu. Aproximou-se, a Mãe levantou os olhos, sorriu acariciou-lhe o rosto, fez sinal para se sentar e disse-lhe:
- Minha filha faz-me um pouco de companhia. Fala comigo, pensa que talvez eu não seja aquela velha impertinente e agarrada a preconceitos, como imaginas.
Maria Fernanda reclinou-se no ombro da Mãe e murmurou:
- Estou feliz, não quero esconder de ti este momento. Gostaria de ficar e ao mesmo tempo…
A Mãe fechou-lhe os lábios com um sinal prosseguindo:
- Tu és a minha companhia mas eu não ser a tua obrigação. Ficarás na tua casa, que é também a minha, enquanto quiseres. O teu companheiro será bem-vindo enquanto for o teu amigo, a tua escolha. Sabes, não quero que fiques assim surpreendida a olhar para mim. Quem sabe, talvez eu tenha mudado, mas acredita que o que te digo hoje poderia tê-lo dito há mais tempo, assim tu tivesses precisado do meu ombro. És feliz e eu também partilho da tua felicidade. Não fiques preocupada com o que as pessoas possam pensar. O teu companheiro é mais jovem, já percebi, mas não te importes, porque se alguém criticar só pode ser por inveja.
De agora em diante não continues a pensar como uma mulher só. Só, é quem não tem um amor na vida. Lembra o que teu Pai, tantas vezes te disse: vive a vida pois só se vive uma vez.
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