10 – A ROTA DA SEDA
Pedro abriu o dossier que tinha aquele título. Continha informação abundante, distribuída por vários capítulos.
O primeiro historiava o que a história dissera sobre a rota da seda, caminhos que foram aproveitados e desdobrados para a criação das actuais rotas do narcotráfico, desde a produção até à refinação. Era um documento muito extenso completado com vários itinerários, que partindo do Oriente, atravessavam os diversos Países do Cáucaso até às portas de entrada nos mercados de consumo, sobretudo o Europeu.
O documento referia e enumerava as várias organizações envolvidas no processo de transporte e refinação, e indicava os países com ligação ao escoamento do produto já refinado para os mercados consumidores.
Relatava conexões com máfias sicilianas e calabresas orientadas para o abastecimento dos Estados Unidos.
Nada do que lia, era uma surpresa para Pedro. Ele estivera na Bósnia, no Kosovo e o puzzle tinha tantas ramificações que ninguém o conseguiria resolver.
Avançou com a leitura dos capítulos seguintes. A história que as primeiras páginas contavam era velha e sabida por qualquer sociedade bem informada.
As outras referiam detalhes ainda mais pormenorizados das operações e interligações. Também nada era novo.
Certamente, pensava para os seus botões, ninguém no seu perfeito juízo me vai pedir para bloquear os fluxos de droga e também, por maioria de razões, os movimentos do dinheiro.
Não percebia o secretismo daquela reunião só para lhe entregarem documentos, a que qualquer pessoa tinha acesso, bastando consultar os artigos muito detalhados, publicados na Internet.
Fechou o dossier, colocou-o de lado, semicerrou os olhos, abanando a cabeça em sinal de frustração. Deixou passar algum tempo, respirou fundo e olhando para a mensageira, calmamente sentada no sofá à sua frente, folheando uma revista cheia de imagens de gente famosa, perguntou:
- Estive a ler os documentos que me entregou, dos quais nada tirei com interesse. Presumo que é você que me vai dizer o que fazer, será assim?
- Certamente a minha mensagem não é entregar documentos vulgares. Há uma parte que lhe vou transmitir, de viva voz, nada está escrito e não o pode gravar, mas darei a senha que articulada com a sua e o seu código, lhe permitirá abrir o ficheiro que, estou certa, já terá recebido no seu computador e, então perceber o objectivo.
A Organização a que você está ligado e o escolheu para esta missão, foi contratada para neutralizar uma célula que, servindo-se do narcotráfico, financia actividades que põem em risco a segurança do País contratante.
Essa célula é dirigida por gente importante no mundo financeiro, pessoas que poderiam ser classificadas acima de qualquer suspeita.
Mas não é assim, são gente bem protegida, não aparecem nas revistas de economia e fazem, aparentemente uma vida normal.
Fixe o seguinte: “ Banco Antilhas e Caraíbas, SA ”, sede nas ilhas Cayman e escritórios em Marselha e em Monte Carlo. É um banco de investimento, e tão selectivo, que recusa operações até cinquenta milhões de Dólares e só fará negócio acima daquele mínimo, se o cliente lhe apresentar uma forte recomendação Financeira ou Política.
No que me diz respeito a minha mensagem acaba aqui. Todavia, ficarei ao seu dispor, incluindo colaboradores da minha inteira confiança, que podem se chamados a trabalhar na missão, se você como líder o entender necessário.
E já agora, porque não muda a sua bagagem para a nossa suite disse sorrindo? Não será mais cómodo?
O código é Jezabel mas o meu nome é Anne.
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