5 – TEMPO DE CHORAR
Por mais que lhe queiram vender a miragem, de com as medidas de austeridade impostas pela troika, na sua primeira versão, mais soft, mas que lá mais para a frente, serão agravadas, o País ficará melhor, com mais emprego, com melhores empresas, com melhor Estado e tudo a rolar sobre esferas, você fuja, se tiver ainda idade e oportunidade faça a opção de voto mais adequada ao seu futuro. Quer dizer, vote com os pés, parta, vá-se embora, lembre-se do seu futuro e do dos seus filhos.
Não acredite nas promessas dos vendilhões de ilusões. Repare que já estamos a voltar à política de caridadezinha, tão do agrado da Igreja e dos governantes de outros tempos, não muito distantes.
Fuja enquanto é tempo, a não ser que lhe tenha sido dada a oportunidade de fazer alguns negócios enquanto é tempo. O BPN já não pode, já foi entregue aos seus criadores.
Mas se por acaso ainda tem esperança, que o tratamento que já nos começou a ser aplicado, vai curar e doença, pergunte aos Argentinos. Eles já tomaram a poção mágica.
Mas será que não haverá outro caminho, entre o ultraliberalismo que agora vivemos e o desenvolvimento a todo o custo, porque passamos?
Haverá certamente. Qual não sei, mas nunca será possível enquanto não tivermos a coragem de enfrentar e pegar o touro pelos cornos. Levaremos algumas marradas, isso é garantido, mas no fim talvez a fera seja amansada.
Porque pelo caminho para que somos guiados, poderemos não morrer da doença, mas da cura, morreremos de certeza.
Olhe à sua volta e imagine o que será este País no curto prazo, com mais de uma milhão de desempregados, mais não sei quantos a ganharem o salário mínimo nacional, mais centenas de milhares de jovens sujeitos a recibos verdes, nunca menos de dois milhões de velhos e a prosperar,os mesmos de sempre, os milhares de especialistas em cambalhotas e cambalachos.
Quem é que vai pagar a conta?
O cidadão Amorim, o cidadão Jerónimo Martins ou o cidadão Belmiro de Azevedo, etc.?
Não brinque com coisas sérias. A frase “Os ricos que paguem a crise” já passou de moda e nunca passou de um slogan oportunista e deslavado. Nem os defensores de modelos que a história já condenou arriscam dizer isso.
Faz todo o sentido pôr as contas em dia, mas é preciso investir para que a economia cresça e crie emprego. E pense bem, verá no máximo duas dúzias de Empresários dispostos a investir, criando e distribuindo riqueza. Os outros não são Empresários, são Patrões e com esses não se poderá contar.
Hoje deu-me para isto e não pensem que o que disse não faz sentido. Faz, e basta estar atento ao que é dito por muita gente mais qualificada e descomprometida, sobretudo estrangeiros, que opinam fora do sistema.
O modelo Europeu falhou, porque alguém se esqueceu que cada um só olha para o seu umbigo. A Comissão Europeia e o Parlamento Europeu não servem para nada, quando muito abrirão as portas e servirão o chá.
Por ironia do destino e para saber quem efectivamente manda na Europa, é bom lembrar o que alguém disse, alguns anos atrás “ A IIª Guerra Mundial acabou hoje, ganhou a Alemanha”
E já muita gente fala que nós devemos sair do Euro. Eu acho que sim, mas voluntariamente, antes que nos atirem pela borda fora e acredite, já estamos pendurados na amurada do navio.
Eu pouco posso fazer. Mas pelo menos, acordei e gritei de dor. Por isso mudei o nome à série de textos. Deixará de ser “O HOMEM QUE RI” para ser “O HOMEM QUE CHORA”.
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