6- FARTO
Depois do que escrevi no texto anterior, tentei enxugar as lágrimas, mas os olhos estavam secos. A dor que me fez gritar fora de raiva, de impotência, de desesperança. Doeu, sangrou mas as lágrimas não chegaram nesse momento. Elas, que são precisamente o que nós sempre fizemos.
Chorámos à partida dos navegadores, chorámos quando alguém próximo nos deixa, mas não quando somos enganados vezes sem conta. É a nossa sina, ou o nosso fado, como lhe quiserem chamar, mas foi o caminho que escolhemos.
Cansado de políticos de mais tigela, estejam eles aqui ou em Bruxelas, em Paris, em Berlim, em Washington ou em Pequim, intoxicado pelos analistas, politólogos, fazedores de opinião, especialistas de trazer por casa, que tanto falam e nada fizeram, mudei de rumo.
Fui buscar ao fundo das minhas memórias, um filme que retrata, melhor do que as palavras, o desespero de alguém que se cansou de acreditar.
Estarei eu, como a personagem Howard Beale, interpretada pelo actor Peter Finch, considerado por muitos como o mais talentoso actor da sua geração?
Não, acho que não. Mas que me apetece abrir a janela e gritar, estou farto, isso é verdade.
A cena que se segue é soberba, mas se tiverem oportunidade revejam o excelente filme, NETWORK, dirigido por Sidney Lumet.
Depois, espero que também tenham vontade de gritar.
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