1 – A MENSAGEM
O despertador tocou às seis horas da manhã.
E Madalena, como de costume, parou o alarme e voltou a enroscar-se na cama. Passados poucos minutos soou o irritante alarme do telemóvel. Eram 6horas e 10 minutos. Nada a fazer era hora de levantar.
Acendeu a pequena luz, olhou para o lado, esfregou os olhos, esquecera-se que naquela noite, naquela semana, dormira só. Frederico ausentara-se para assistir à reunião da Administração da Empresa. Era uma grande empresa internacional, de obras públicas mas com sede em Madrid.
Ela recordou as noites do marido agarrado ao computador, analisando números, assinalando desvios entre o objectivo e o realizado. Estava satisfeito quando concluiu o seu trabalho, as coisas tinham corrido bem no seu Departamento. Estava confiante quando partiu, pronto a aceitar qualquer desafio. Sabia por experiência que toda a gente iria ser posta à prova e que havia sempre alguém que não aguentava a pressão e fraquejava. Para uma multinacional isso significava o fim.
Precisava de convicção e de confiança e tinha essas condições. Ambicioso não enjeitava assumir novas responsabilidades. Sempre assim fizera e a sua carreira estava em crescendo.
Felizmente a ausência seria só por uma semana e Madalena bem que sentia a falta do companheiro.
Começou a sua lide de cada manhã de trabalho.
Eram casados às quinze anos, tinham três filhos. A mais velha Filipa tinha doze anos, mas ninguém diria. No pensamento e na atitude responsável parecia ter mais idade. Era a sua colaboradora mais eficaz para ajudar com os outros dois irmãos, gémeos de quatro anos, Manuel e Pedro, cada qual o mais traquinas.
Madalena como de costume tomou o pequeno-almoço, sumo de laranja e um café antes de ir tomar banho. Ás sete da manhã era hora de acordar Filipa, precisava da sua ajuda para tomar conta dos irmãos o que não era fácil.
Mas a filha levantou-se e com ar admirado perguntou:
- Mãe passa-se alguma coisa?
Madalena incrédula olhou a filha e deu-se conta que cometera um erro, afinal era sábado, como pudera esquecer?
Na verdade quando se deitara estava tão cansada que não desligara os despertadores. Acariciou a filha, murmurando:
-Desculpa, dorme, a Mãe não se deu conta de que hoje é sábado.
Como já estava arranjada pensou sair mais cedo, ir tomar o café do costume e seguir para as compras de fim-de-semana. Espreitou a janela, estava ainda escuro e uma chuva persistente mas não muito forte,decidiu cancelar a ideia. Que loucura, pouco passava das sete da manhã, não havia ninguém na rua e nem o café do senhor Luís estava aberto.
Tinha combinado que Frederico lhe mandaria uma mensagem na hora que deixasse Madrid. Por comodidade ele tinha optado pelo carro. Tinha prazer em guiar e era um condutor experiente e seguro.
Na caixa de correio do telemóvel, Margarida não tinha qualquer mensagem. Era bem cedo, sabia, mas o marido costumava surpreendê-la. Abriu o computador foi à pasta do correio e lá estava uma curta mensagem, dizia:
“- O que seria de mim se tu não existisses! Vê o anexo. Com amor, Frederico."
Ligou o altifalante, colocou os auscultadores, abriu o ficheiro e ouviu uma linda canção de amor.
Fechou os olhos e deixou-se dormitar, com um sorriso nos lábios.
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