
Se me fosse possível, pensei nisso mas não sabia como fazer, o meu último texto teria sido refeito, burilado, mexido e eventualmente apagado.
Comecei com a melhor das intenções, mas confesso que me perdi entre questões filosóficas e éticas das quais tive alguma dificuldade em sair.
Eu sabia que estas coisas podiam acontecer, mas teimoso como sou, publiquei sem reler.
Sabia o que queria dizer, os sentimentos que queria transmitir, mas uma qualquer deriva levou-me para caminhos desconhecidos e fiquei bloqueado.
Com os erros também se aprende, sempre ouvi dizer, mas na prática já não estou tão seguro assim. Senão, cometemos tantos erros, acreditamos em tanta gente, desfilamos por causas, discutimos com azedume as opções políticas e religiosas de cada um, perdemos amigos e referências, ficamos nus e desprotegidos e apesar de tudo o que é que aprendemos?
Sabemos que ouvir não basta é preciso entender e questionar, perguntar e entender o porquê, forjando o nosso caminho. E mesmo assim, quantas vezes se hesita entre a razão e o coração e ficamos reféns das nossas convicções?
Na realidade o texto a que me refiro começara com uma notícia triste e dolorosa, para mais para alguém que receava o futuro.
Mário Monicell, o protagonista da notícia com que comecei o texto, foi um realizador de cinema, e foi ao cinema que fui buscar a história de hoje. Enquanto revia a matéria para o artigo, lembrei-me de um filme, que foi exibido recentemente, e pela enésima vez, num dos canais de cinema da TV por cabo.
É uma bela história romântica. Mostra que por entre encontros e desencontros, alegria e dor, afinal mesmo com uma vida a prazo haverá sempre, tem de haver, espaço para o amor. E quando o amor existe, não se evita, vive-se por um dia, um ano, uma vida ou uma eternidade.
O filme é “Sweet November” e para além da história deixa-nos com uma das mais belas bandas sonoras que eu lembro.
Vá lá, esqueça o requentado programa da manhã da RTP, aquela Praça da Alegria que de alegria só lhe resta o nome, cale a voz estridente e agressiva da Júlia Pinheiro e dos seus convidados, esqueça por um dia, pelo menos, as histórias escabrosas de alguns personagens menores, que fazem a delícia das revistas cor de rosa e dos consumidores de pornografia, feche os ouvidos a qualquer notícia vinda de Belém, principalmente se ela tiver como pano de fundo as declarações infelizes, como quase sempre, do Presidente, a propósito das suas férias nos Açores e dos sorrisos com que as vacas o receberam, esqueça que o calvário da austeridade ainda nem sequer começou, esqueça que o Jardim existe e o inferno também.
Defenda-se e ao mesmo tempo veja uma história de amor. E se for sensível e deixar cair uma lágrima, não se apoquente, isso mostrará que apesar de tudo o que nos fizeram e vão fazer, estamos vivos.










