sábado, 24 de setembro de 2011

HISTÓRIAS ANTIGAS E DE SEMPRE

É verdade, pois mais volta que dê, há sempre um momento que me deixo guiar para o quotidiano e, invariavelmente, caio na armadilha da política de meia tigela.
Não pretendo fazer a análise política dos dias que correm. Outros se ocupam disso com mais ou menos conhecimento, dependente da filiação política de cada um. Mesmo na simples constatação de um facto, haverá sempre três ou mais leituras. E lá vamos cair na teoria que defendi no último escrito, que afinal é tudo uma questão de segurar ou baixar as calças. É pena mas é assim.
Também se diga que essa liberdade deve ser a última coisa que nos resta depois da Revolução dos Cravos. E para que não restem dúvidas, todos somos culpados pelo estado a que chegamos.





Toda esta confusão de diz e não diz, é assim e assado, fulano é mentiroso e sicrano um anjinho, é deprimente mas não é novo.
Ainda não há muito tempo alguém, com a melhor das intenções admito, se lembrou de lançar um concurso para eleger “ Os Grandes Portugueses”, personagens da nossa História, tendo convidado para darem opinião, uma série de personalidades de muito mérito, como são habitualmente os que estão na “play list “ dos convidados, acampados à porta da Televisão. E o que é que deu?
Fácil, qualquer ignorante como eu, já sabia que a pessoa mais importante foi o grande obreiro do Portugal moderno e feliz que toda a gente invejava, o Prof. Salazar.
Foi uma surpresa? Nem pensem disso.
E se repetirem essa consulta daqui por mais algum tempo, ou volta a ganhar o Salazar ou, acreditem ou não, será o Prof. Cavaco. Quase apostava.
Lá estou eu a beliscar os políticos. Não é defeito é mais feitio.
Dei por mim a pensar que influência é que eu bebi durante a minha vida que me leva a tratar esses assuntos duma forma tão ligeira e ao mesmo tão amarga?
Do meu Pai em parte, porque o vi chorar, quando por altura das eleições do Humberto Delgado o Chefe da fábrica onde trabalhava, lhe entregou em mão e à boca das urnas o boletim do Tomaz, aquele marionete que o Salazar inventara, ele que até levava no bolso o boletim de voto para o Humberto Delgado.
Essas lágrimas, as únicas que eu vi nos olhos do meu falecido Pai, nunca me saíram da memória e é desse momento que sempre me lembro, quando oiço falar de direitos adquiridos.
A herança que recebi do meu Pai, lembro bem, foi uma pedra de rio, própria para amolar o fio da gadanha, a mais terrífica ferramenta de trabalho que algum dia manuseei. Eu sabia o que aquela simples pedra representava. Mas sobretudo recebi a coragem de chamar os bois pelos nomes, ainda que utilizando formas mais rebuscadas para o fazer. Por exemplo o humor que ele utilizava.
Afinal sou assim, brinco com coisas sérias porque se o não fizer, chorarei como o meu Pai chorou, naqueles idos de 1958, quando violentaram a sua consciência e a necessidade de alimentar a família, o calou.
Obrigado Pai.

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