terça-feira, 6 de setembro de 2011

HISTÓRIAS ANTIGAS E DE SEMPRE


Por mais que queira a guerra civil Espanhola faz parte, importante, das minhas memórias.
Todavia não deveria ser assim. Eu estive na guerra de África, sei do que falo, sobre a dor, a tragédia, o luto, as lágrimas, o desespero da guerra colonial. Essas deveriam ser as minhas recordações mais profundas, porém acho mais prudente manter uma certa distância.
Pelo contrário é na Guerra Civil Espanhola que eu me encontro, me revejo, nos filmes que vi, nos livros que devorei e sobretudo nos poemas e nos poetas que conheci.
Sim dos Poetas que conheci, pois quando me emociono a ler ou ouvir os poemas de Miguel Hernandez, de Rafael Alberti, de Federico Garcia Lorca e ou de Pablo Neruda e outros mais, sinto que estou ao seu lado, que são meus amigos.
O historiador e jornalista francês Jean Laucouture não tem dúvidas em afirmar, “A Guerra Civil de Espanha foi, sem dúvida alguma, a guerra dos escritores. Não existiu um conflito que tenha interessado tanto os intelectuais de todo o mundo.”
É verdade, para além dos Poetas alguns dos quais referi, vamos lá encontrar escritores como André Malraux, George Orwell, John dos Passos e Hemingway.
Se a este fascínio induzido pela cultura, juntar as histórias que ouvi contar pelos camponeses da raia que conheci, os seus dramas, as suas aventuras os seus medos, fica explicado o meu entusiasmo.
É daqui que parto, do filme:

POR QUEM OS SINOS DOBRAM
Não perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti

Apesar da tragédia bem expressa nesta afirmação retirada do livro de Hemingway, para mim o filme é sobretudo uma história de amor. Desde logo porque os intérpretes são um par romântico e trágico ao mesmo tempo. Ver a Ingrid Bergman, no papel de Maria, a jovem guerrilheira Espanhola, e Gary Cooper, representando Robert, Americano das Brigadas Internacionais, vivendo uma história de amor intemporal, foi um prazer para não esquecer.
Todavia e como muitas vezes acontece, os grandes papéis, as imagens mais fortes deste drama são as personagens ditas, erradamente quantas vezes, de secundárias.
A exibição do filme foi censurada pelo regime fascista, talvez como um favor entre os dois ditadores, Salazar e Franco.
Creio que não me enganarei se disser que, sendo um filme de 1943, apenas foi exibido em Lisboa no período da Primavera Marcelista, quando se vivia uma ténue esperança de mudança de regime.
O filme ficou nas minhas recordações, não só pelo que o tema representava para mim, mas porque o vi, pela primeira vez no dia sete ou oito de Outubro de 1969. Na realidade casara com a mulher da minha vida, no dia 5 de Outubro de 1969 e aquele filme foi o primeiro de muitos que vimos juntos, ao longo de uma vida.
Foi em1969? Tanto tempo? Não, devo estar enganado, iria jurar que foi ontem.

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