segunda-feira, 19 de setembro de 2011

HISTÓRIAS ANTIGAS E DE SEMPRE

Devo confessar que para mim, o fado nunca foi uma paixão. É estranho ouvir esta opinião quando se luta, e bem, para que o Fado seja escolhido como Património da Humanidade. Eu desejo que sim e reconheço a importância que esta música tem no destino de um Povo.
- Dizem que ser hoje como sempre, pobres e mal governados é o nosso fado;
- Dizem que ser o que somos, resignados e vencidos também é o nosso fado;
- Dizem que cantar o fado neste “tom magoado de dor e saudade” é o nosso destino.
Afinal tanto se diz e o Povo, na sua imensa sabedoria, costuma ter razão.
Todavia se a alguém for perguntado o que mais aprecia em Portugal, virá o sol, a comida e o fado. Então o fado deixou de ser um lamento só entendido pelos Portugueses mas também, o som das guitarras e as vozes dos cantadores, começou a ser partilhado com outros povos, outras culturas, outras línguas. Nem sequer é preciso entender a língua Portuguesa para se sentir a magia, a nostalgia e a força do fado. E esse foi o legado que Amália nos deixou.

Logo após a revolução de Abril de 1974, a revolução dos cravos, que quase sem uma gota de sangue derramado, deu o fim a uma ditadura opressiva de mais de quarenta anos, o fado começou a ser conotado com a política salazarenta e ostracizado. Mas pouco a pouco, o fado renasceu em novas vozes, com outros poemas e cantado por gerações nascidas depois da Revolução.
Que conclusão é que consigo tirar destas palavras, eu que nem gosto particularmente de fado?
Só pode ser uma. O Fado era é e continuará a ser a voz dum um Povo que não se renegou.

Na minha juventude aprendi a gostar de um outro tipo de fado. O fado de Coimbra, mais uma balada que um fado, mas que era um privilégio dos Estudantes da mais conhecida Universidade do País, a de Coimbra.
Era estranho, ele só era reconhecido se cantado por estudantes de capa e batina.
Na altura, a Rádio dava semanalmente um programa de fados de Coimbra. Ouvia em silêncio em casa de alguém que já partiu e que teve uma influência muito grande na minha educação. Minha e da minha irmã mais nova, companheiros de estudo e de brincadeira.
Essa amiga tinha uma personalidade tão forte que acabou deixando marcas em todos os que com ela conviveram.
É com uma lágrima de saudade que deixo um dos seus fados preferidos. De Coimbra, evidentemente. O “ Fado das Andorinhas” na voz do Dr. Sutil Roque.

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