segunda-feira, 5 de setembro de 2011

HISTÓRIAS ANTIGAS E DE SEMPRE

Eu sou do tempo em que ir ao cinema era um acto que envolvia alguma cerimónia. Desde logo porque para além do espectáculo em si, havia o intervalo para que as senhoras passeassem nos amplos salões das salas de cinema os seus modelos. E não se pense que estou a falar apenas da alta classe, o hábito era também da classe média.
Nos cinemas de estreia a sessão começava com um documentário chamado Actualidades Francesas, suponho que era um exclusivo dos filmes Castello Lopes. Retratava acontecimentos mundanos e não só, estávamos a sair da segunda grande guerra, e tinha uma particularidade que não esqueci, as notícias eram dobrados em Português e o locutor disse uma voz característica que não se esquece.
Depois uma série de desenhos animados, normalmente da Disney e finalmente o ansiado intervalo.
Tomava-se o café, um cigarro, espreitávamos as mulheres bonitas enquanto que as senhoras comentavam a toilette.
Só depois o filme era projectado, mas quantas vezes o intervalo não fora a melhor parte?
É verdade, ir ao cinema era assistir a um espectáculo dentro de outro espectáculo. Era agradável, podem crer.
Hoje interrompi a série de Histórias Antigas e de Sempre, celebrando uma instituição perdida:

O intervalo

E aproveito para dedicar um vídeo, de um cantor romântico, sem favor a melhor voz do seu tempo e, como era de esperar, nascido no Alentejo.
Laurinda, este vídeo é para ti.

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