
Sem saber bem porquê lembrei-me de algumas aulas, diria com mais propriedade, algumas conversas, que tive com um amigo. Eu preparava-me para fazer um exame de acesso à Universidade e precisava de refrescar conhecimentos sobre a Literatura e a Língua Portuguesa e ele fora a minha escolha.
Na altura o meu estimado professor preparava a tese e escolhera a política internacional do Salazar, imediatamente antes e durante a guerra colonial.
É evidente, que na altura já vivêramos a alegria do 25 de Abril de 74 e o acordar do sonho sombrio do Novembro de 75. E muita coisa mudara.
O meu amigo atreveu-se a pedir uma entrevista ao Dr. Franco Nogueira que, durante o consulado de Salazar, fora Ministro dos Negócios Estrangeiros. Não tinha muitas esperanças mas teve uma surpresa, o antigo ministro concedeu-lhe a entrevista.
Ele contou-me que, para uma pessoa da esquerda revolucionária como ele era, ficara desconcertado com a simpatia e simplicidade do Dr. Franco Nogueira.
Não sei se foi o meu amigo que me falou ou se fui eu que inventei a história que vou contar, mas também não tem importância:
O MINISTRO E O ELÉCTRICO DA ESTRELA
Durante um dos encontros o embaixador Franco Nogueira confidenciara ao meu amigo que o Salazar gostava de ouvir as piadas e as histórias com que os Portugueses o mimoseavam e até achava piada a algumas das que lhe contavam.
Uma delas porém, o velho “Manholas de Santa Comba”, com o alcunhara mestre Aquilino, detestava.
O Embaixador confidenciou:
“ As reuniões do Conselho de Ministros na residência de S. Bento, eram muito especiais. Salazar, sentado na cabeceira da mesa passava pelas brasas, quer dizer dormia um pouco, enquanto os Ministros e Secretários de Estada apresentavam projectos ou números ou problemas da Governação. A certa altura o Presidente acordava, dizia e ditava o que cada um deveria fazer. A fórmula era a esperada. “Tu falas eu mando e tu fazes o que eu dizer”.
Mas um dia, durante um Conselho, Salazar despertou repentinamente pelo barulho que um Ministro atrasado fizera ao ocupar o lugar.
O ministro, afogueado, carregado com uma série de dossiers, limpava o suor que lhe escorria pela testa e deu uma justificação:
- O Senhor Presidente vai fazer o favor de desculpar este meu atraso. Mas sabe, perdi o eléctrico da Estrela, corri quanto pude para o alcançar mas não consegui.
Limpou mais uma vez a face suada, esboçou um sorriso e concluiu:
- Mas Senhor Presidente cheguei atrasado e cansado mas ao menos poupei cinco tostões do bilhete de eléctrico!
Salazar olhou furioso para o Ministro respondendo:
- Parece impossível como é que eu o escolhi para Ministro da Economia. O senhor deveria ter corrido atrás dum táxi e assim teria poupado cinco escudos.
PS
1º. Espero que o primeiro-ministro não siga a sugestão do velho ditador. Senão pobre Álvaro;
2º.É importante que as pessoas entendam os mercados. Esta palavra está na moda e mete medo a muita gente. O vídeo ajuda a explicar e vale mais do que uma entrevista do Ministro das Finanças ou do Ministro Relvas que, parece, toca só de ouvido
3º. Desculpem qualquer coisinha. Foi sem intenção!
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