domingo, 18 de setembro de 2011

HISTÓRIAS ANTIGAS E DE SEMPRE

Já andava morto de saudades de escrever alguma coisa sobre cinema. A sétima arte foi, é, um dos meus amores.
Um dia tentei copiar uma ideia que já vira publicada, no blogue http://numaparagemdo28.tumblr.com/ e escolher os dez melhores filmes da minha vida. Tirando o primeiro, que teimosamente mantenho inamovível mas que não mais revi, não consegui ordenar as minhas preferências. Na realidade a cada um que me lembrava, logo surgia um outro que considerava melhor e assim sucessivamente. Desisti da ideia. Não conseguia concordar comigo próprio.
Eu nem me orientava por critérios de qualidade cinematográfica, não tenho conhecimentos para isso e por tal, nem me atrevo. Eu só queria indicar os que mais gostara.
Mas mesmo assim parei pois resumir uma paixão de dezenas de anos, milhares de filmes a um núcleo de dez era tarefa impossível.
Mas a ideia não morreu e tentei encontrar uma forma. Iria ordenar os filmes por época, por períodos da minha vida. Nem assim fui capaz.



De repente fui buscar um DVD do Martin Scorsese, chama-se” Il mio viaggio in Itália” e nele o realizador vai apresentando e comentando os grandes filmes do cinema italiano, a terra dos seus antepassados, e inevitavelmente surgem os realizadores e os filmes do neo-realismo. E eu vira todos aqueles filmes e de todos gostara!
Fiquei cheio de inveja, como eu gostaria de ter tido aquela ideia e de a ter conseguido mostrar com o saber e o amor que o Scorsese demonstrara. Mas, mais uma vez, me rendi à realidade. Aquele desafio não era para mim e por isso rasguei a lista.
Abandonara, vencido e convencido, um projecto que nem sequer tinha começado.
A realidade ensinara-me que devemos lutar pelo que acreditamos mas que devemos ter o cuidado de não dar passos mais longos do que o tamanho das pernas nos permitem. E as minhas são demasiado curtas para aquela exigente caminhada, e o trambolhão seria inevitável.
Ia dar o assunto como encerrado quando me lembrei que um dia, em jeito de observação, alguém, a quem me ligam laços muito fortes, me disse, falando de cinema:
- Para ti, qualquer filme onde os protagonistas sejam crianças ou velhos será sempre o melhor!
Fiquei a pensar naquela frase e reconheço a sua razão. Nem sempre era a qualidade cinematográfica que eu admirava, mas quase sempre o que o coração me dizia. E porque não, se são os sentimentos que perduram da nossa memória?
E por vezes os filmes que me mais aprecio não são grandes histórias, nem grandes dramas, mas sim aqueles que me trazem uma lágrima sentida. Pouca coisa, a cena eventualmente até passará despercebida. O momento de beleza poderá ser uma história bem simples.Como esta!

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