O tempo passa a correr. Quase não se dá por isso mas quando me olho no espelho, vejo os sinais que não deixam mentir.
Hoje, já esqueci o dia de ontem, e o de anteontem, descansei da novela Jardim, a ópera bufa nunca foi um dos meus géneros preferidos, retirei o som da Televisão e dei por mim deliciado a ver um desfilar de políticos, aspirantes, marionetes, fazedores de opinião, professores de economia, todos ou quase todos leram pelo mesmo livro, onde se falava de finanças e nunca de economia e assim estive divertido.
Voltei ao cinema mudo. É certo que nenhum dos actores tinha o talento do Charlie Chaplin ou do Buster Keaton, mas para um País pouco exigente como sempre fomos, qualquer palhaço de feira serve. Os verdadeiros palhaços, cuja profissão está em vias de extinção pois não podem competir com tantos momos desajeitados mas que se ajeitaram na vida, é que ficaram a perder. Nós já nem demos por isso.
Mas foi interessante, acreditem que foi. O que eles diziam não interessava mas os rostos, os meneios, o cenho franzido, o revirar dos olhos mostraram quão vazias eram as palavras e o que ficou foi uma radiografia completa. A nudez que ofende mais do que um filme hardcore. Eram bonecos articulados, comandados à distância por um trio de sabichões, que utilizando cada um o tradicional ponteiro, punham aquela fantochada toda a mexer, mas sem fazerem nada. A receita estava passada e agora eles, os figurantes, só decidiam se o acompanhamento seria ao som da viola ou com adufe. O acompanhamento fúnebre, bem entendido.
Com a cara tingida de preto, porque ainda tenho um pingo de vergonha, vou acabar esta incursão do universo do Animal Farm do Orwell.
No próximo dia treze de Outubro, faz um ano que publiquei o primeiro post, como agora se diz. Por isso, um ano, 260 textos e mais de 3 500 visitas depois, é tempo de pensar.
Quero continuar mas a fazer aquilo que mais gosto. Contar histórias.


Sem comentários:
Enviar um comentário