Ai como me dói.
Esmagado pela realidade só me resta uma opção. Em vez da bravata, do grito de dor ou de revolta, tenho de reconhecer que o inimigo é muito poderoso, tem servidores cegos e é implacável.
Eu não soube ser o D. Quixote, faltou-me talento e bravura e por isso rendo-me, iço a Bandeira Branca. Quebrei lanças, atirei pedras mas acabei perdido.
Junto da bandeira da rendição entrego as armas pesadas, onde fui buscar, talvez desajeitadamente, a estratégia que segui.
John M. Keynes
Paul D.Krugman
E assim acabou um capítulo da minha vida, com mais uma derrota que deixou marcas.
Dei por mim só, cada dia mais só e olhando para o meu futuro que é já ali amanhã. Quero esquecer os sonhos de um mundo melhor, aquela utopia cada vez mais longínqua e apagar todos sinais de esperança que ainda traga agarrados ao corpo. Vou esfregar tudo para que nada reste.
No final ficarei despido e serei apenas o que restou de mim depois de lutar e ter perdido a guerra.
Não, não voltarei a falar de política, fez-me mal, fiquei agoniado e pior que tudo, desiludido. Deixei que a esperança morresse, apunhalada dia após dia por esbirros com armas afiadas e sem compaixão. Deixei de acreditar, até em mim e por isso hoje, desisto.
Será com a cabeça limpa, que tentarei retomar um percurso interrompido. Escrever uma história, outras histórias, de amor, de desamor, de paixão, de memórias.
Apenas escrevi em rascunho a primeira página, as outras, bem as outras serão o que este corpo derrotado, esta mente esmagada, conseguirem salvar da hecatombe.
Apenas escrevi em rascunho a primeira página, as outras, bem as outras serão o que este corpo derrotado, esta mente esmagada, conseguirem salvar da hecatombe.




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