quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Como eu vi John Doe

Ainda hoje me custa a entender como as coisas acontecem. De um momento para o outro o meu amigo ficou sem saber quem era, como se chamava, o que fazia, etc..
Olhava para mim com os olhos esbugalhados e, apenas pelo movimento dos lábios, percebi que ele tinha qualquer coisa para dizer. No momento pensei estar perante um ataque de amnésia fulminante, mas que mais tarde ou mais cedo o meu amigo tornaria ao mundo real.
Estendi-lhe a mão e ele fez o mesmo mas não houve contacto. Abri-lhe os braços para o receber, ele fez o mesmo, mas havia uma qualquer barreira entre nós.
Fiquei parado sem reacção. Cheguei a pensar que o meu amigo não fosse mais do que uma miragem. Esfreguei os olhos. Continuava a ver a sua cara, envelhecida como já lhe conhcera. Depois a imagem começou a esbater-se a perder os contornos como se uma nuvem o transportasse. Apenas os olhos se mantinham fixos nos meus.
Porém a neblina foi-se acentuando e deixei de ver o meu amigo.
Fiquei perturbado. Saí da casa de banho com o chuveiro ainda a correr, peguei numa toalha, embrulhei-me nela e fugi, pela casa, pela rua olhando em todos os sentidos à procura do meu amigo. Sentia que ele estava perdido e precisava de ajuda. Corri até que o cansaço me venceu. Parei respirando com dificuldade, e olhei as pessoas que passavam na rua. Olhavam, murmuravam qualquer coisa que não percebi, encolheram os ombros e seguiram o seu caminho.
Ninguém vira o meu amigo e eu, também não sabia bem onde o tinha desencontrado.

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