quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Relembrando

Há dias assim. Só nos vêm à memória recordações, faço mesmo sem dar por isso uma triagem, que são normalmente coisas que gosto de relembrar.
Dei por mim a fazer este tipo de raciocínio, quando li há dias, no blog que sigo, http://numaparagemdo28.tumblr.com, um artigo sobre o cinema Português.
É que muitas das minhas lembranças têm a ver com a sétima arte. Não necessáriamente com o cinema que cá se fazia.
É certo que desde muito novo, criança ainda, pois não havia classificação de filmes, fui habituado a ir ao cinema na companhia de familiares muito próximos. Íamos ver os filmes que eram projectados na nossa cidade, fosse no cine-teatro, bem bonito que está encerrado há muitos anos, mas principalmente no cine-parque ao ar livre, que hoje deve servir de armazém para qualquer coisa, que não sei nem me interessa.
E vi de tudo. Desde os filmes de corsários, género Gavião dos Mares filmado em 1940, e dirigido por Michael Curtiz, que voltei a encontrar, bastante mais tarde, no inesquecível Casablanca, até, calcule-se alguns dos dramas do cinema italiano, como “Arroz Amargo”e principalmente o “Céu Sobre Pântano”, filme que procura retratar a vida de Maria Goretti, posteriormente canonizada. Foi este o filme que mais me impressionou e não esqueci a cena em que o criminoso persegue a vítima, à volta de uma mesa, levando uma faca na mão. O resto não sei porque, por medo, devo ter fechado os olhos.
O gosto pelo cinema ficou e até hoje, o cinema italiano está muito bem representado na galeria dos meus filmes preferidos, com filmes que vi e revi mais tarde, que foram considerados como pertencendo à época do Neo Realismo Italiano, como “a Terra Treme” de Visconti, “Roma Cidade Aberta” de Rossellini e “Ladrões de Bicicletas” de De Sica, e que hoje fazem parte, com muitos outros, da história do cinema. Foi o apogeu do cinema transalpino, penso eu.
Ainda hoje são italianos dois dos filmes que mais gosto, “O Homem das Estrelas” e “ Cinema Paraíso”, ambos de Giuseppe Tornatore.
Uma pessoa amiga, conhecendo o meu interesse pela história do Império Romano, sempre me lembrava, que o local onde poderia admirar o maior conjunto de monumentos desses tempos, era a Sicília, a Magna Grécia. E ela tinha razão, como já pude comprovar.
Aliás, eu não consigo dissociar o meu gosto por muitos filmes do cinema Italiano, daquela mal afamada, mas tão bela, ilha dos três mares.
Desde logo os filmes de Visconti, a "Terra Treme" e "O Leopardo",
"Stromboli" de Rossellini e posteriormente os filmes de Tornatore, ele mesmo um Siciliano.
Até admito que foi a vontade de conhecer a ilha de Stromboli, onde Rossellini filmou, com a inesquecível Ingrid Bergman e onde ainda está de pé a casa que os mesmos partilharam, que me levou a aceitar fazer algo que não gosto muito. Andar de barco.
Na ilha, ainda desembarquei, mas à casa, o enjoo já não me deixou ir, e fiquei com pena.
Também não conhecia o filme “O Homem das Estrelas” mas, curiosamente, numa noite em que regressei duma viajem de trabalho a Messina, Sicília, vi na TV o filme pela primeira vez. E não mais o esqueci.
Ah como é bom lembrar, filmes que me marcaram, numa altura em que me parece haver uma quebra de qualidade, especialmente, nos filmes exibidos no circuito comercial.
J.Ariemal

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