Nas noites de alguma insónia, e elas são frequentes, dou por mim a pensar que estranha forma de vida é esta!
Imagino os sonhos que sonhei, dou liberdade às recordações acumuladas em tantos anos, preocupo-me com o futuro, protesto contra a mediocridade, critico os políticos e os seus serventuários e por fim fica o zero, o vazio, o pensamento tumultuado e a sensação de que a realidade, não andando longe do que dela se espera, é como algo de irreal e nublado.
Depois de tantas voltas, de tantos desafios que a mesmo me coloquei, acabo de mãos vazias e com a certeza de que o dia que se segue, será mais um, igual a tantos outros.
Afinal, nada fiz e o mundo continua a girar sobre si mesmo, com os mesmos problemas, as mesmas desgraças, a sorte de alguns e a desdita de tantos outros.
Sempre assim foi e sempre assim será.
Tento chamar-me à razão mas em vão porque era preciso que“um raio de razão seguisse pura”. Desiludido e cansado procuro o outro eu. Preciso de encontrar o equilíbrio e a tranquilidade que só o John Doe me dá, para poder contar uma qualquer história, qualquer coisa que não tenha nada a ver com os fantasmas que povoam a minha cabeça.
Terei de seguir por este caminho, escrevendo, escrevendo até não poder mais.
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