CAPÍTULO I – A PARTIDA
Sentado na sala de embarque do Aeroporto, Paulo, um homem de rosto fechado e melancólico, aparentando trinta anos de idade, aguardava a ordem de embarque do voo para Paris. A hora marcada para o embarque era às 11,50 com a partida do avião marcada para as 12,35.
Como lhe era habitual, chegara bem cedo, para evitar a confusão da última hora, coisa que abominava. Já estava na sala de embarque quando ouviu a informação de que, devido ao regresso tardio do aparelho, o voo se encontrava com atraso de 1 hora.
Uma hora, dizem eles, o que significa que este será um dia perdido.
Quando chegar a Paris, formalidades de desembarque, retirar a bagagem, apanhar um táxi, irei chegar ao hotel a horas de jantar. Fiz mal e despachei para seguir no porão, a mala de cabine, sem ter necessidade de o fazer, e tudo só para evitar andar a puxar o trolley. Que chatice, pensou, ao menos podia ter recebido a informação do atraso, antes de entrar na sala de embarque e poderia ter aguardado sentado, a uma mesa do bar, e aproveitar o tempo para rever alguns dos apontamentos, que tinha no portátil, e que lhe iriam facilitar o trabalho em Paris. Aqui na sala de embarque, que não tardará ficará cheia, não dá jeito.
Era uma viajem que fazia pela primeira vez, ao serviço do banco onde desempenhava funções de auditoria e, embora se encontrasse preparado para tal tarefa, não podia ignorar que havia colegas com sinais evidentes de frustração e inveja. Mas isso até lhe dera gozo.
Tinha sido uma surpresa a decisão do Administrador. Como o Auditor Internacional, reportara algumas questões delicadas nas contas do Banco no Brasil, o Presidente decidira que ele deveria lá ficar, até ao total esclarecimento das questões e devia ser escolhido outro Auditor para fazer o trabalho das Agências em Paris. E o Chefe de Departamento acabara por o escolher a ele, dado que se reconhecia qualidades, e vontade de progressão na carreira. Era uma oportunidade que lhe dava e só podia esperar o melhor, sublinhou.
Tomou conhecimento da decisão na sexta feira pela tarde.A Secretária da Administração, tratou de lhe marcar o voo e de lhe reservar o hotel. Ainda antes do fim do dia, entregou-lhe o envelope com o bilhete e o vocheur do hotel, dizendo-lhe que bastaria estar no Aeroporto, com 30 minutos de antecedência, pois ela se ocuparia de fazer pela Internet, o respectivo check in.
Paulo, era um quadro preparado mas ambicioso, pelo não gozava de muitas simpatias entre os colegas e, por isso tinha poucos a quem pudesse chamar amigos. Fechado no seu mundo, nem partilhara com eles o trabalho que iria devolver, ainda por cima na cidade dos seus sonhos.
A nomeação dera-lhe tanto prazer, que até o fizera esquecer os momentos menos bons, porque passava na sua vida particular.
No sábado,iria ocupar todo o dia a arrumar as suas coisas pessoais, para as retirar da casa que habitava; Teria de ir à procura de uma pensão para se alojar durante algum tempo e distribuir por familiares, as malas de roupa, as caixas com livros e outros artigos para lhos guardassem, até voltar e ter oportunidade de arranjar um apartamento. Tudo porque Amélia, com quem vivia há alguns anos, tinha exigido que abandonasse a casa e que o devia fazer , apenas em vinte e quatro horas. A casa era dela, como bem frisou, e não estava disposta a protelar uma decisão, que se arrastava.
Paulo lembrava que, há alguns meses atrás, tinha tido um conversa, dura e inesperada, com a mulher, que acabara em ruptura, mas a que, como era seu hábito, não dera grande importância. Mas Amélia não esquecera e como ele não se apressava a sair, apresentou-se um ultimato a que não pode fugir.
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