segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

UMA AVENTURA NOUTRA CIDADE

CAPÍTULO – IV – A VIAJEM

Maria Teresa, nem esperou pela resposta e continuou. Desculpe, ainda estou a recuperar da correria para não perder este voo. O tempo no Porto estava horrível e parece que em Paris também chove com abundância. Afinal estamos a meio do Outono e se não chover agora quando é que chove?
- O senhor desculpe, eu tenho um defeito muito grande, não gosto de estar calada, principalmente, porque andar de avião me faz sentir sempre algo nervosa, mas se isso o incomodar, não tenha receio de mo dizer.
O avião deixou a pista sofreu algumas fortes rajadas de vento lateral, até entrar na altitude de cruzeiro. Estabilizou mas a luz avisadora de apertar os cintos de segurança continuava acesa. O Comandante, deu as boas vindas aos passageiros, pediu desculpa pelo atraso na partida, disse que o tempo em rota estava aceitável embora pudessem encontrar, perto do destino, alguma turbulência.
Maria Teresa tinha-se mantido em silêncio. Quando a luz dos cintos de apagou, respirou fundo, ajeitou-se na cadeira e virou-se para o companheiro sentado à janela dizendo:
- Parece que não vai confortável aí nesse lugar, pois não? Eu não me ofereço para trocar porque também detesto sentir-me presa. Mas experimente passar para o banco do meio, sempre é mais espaçoso, e eu não me importo que mude as minhas as coisas e as coloque no seu lugar da janela. Vai ver que se vai sentir mais confortável.
Paulo agradeceu, murmurou qualquer coisa como é uma boa ideia, levantou-se no banco para fazer a mudança. Mas tão desajeitadamente o fez que bateu com a cabeça na bagageira e, ficou de novo sentado no lugar da janela. Maria Teresa riu-se com a situação, enquanto Paulo, ferido no seu orgulho, parecia ter desistido.
Maria Teresa, confortou-o dizendo que aquilo poderia ter acontecido a qualquer um, que vá tão desagradado e incomodado, como me parece que o senhor vai, porque até se esqueceu de desapertar o cinto de segurança.
Paulo esboçou um sorriso amarelo, desapertou o cinto de segurança e com a falta de jeito que o caracterizava, lá conseguiu fazer a troca do lugar. Respirou de alívio, como se tivesse saído de um buraco.
- Ah aqui, estou bem melhor, obrigado pela sua ideia, conseguiu finalmente dizer.
Ainda não respondeu à minha pergunta, diz Maria Teresa, também vai em trabalho?
- Desculpe, com o desconforto que sentia até me esqueci. Sim, também vou em trabalho e o meu nome é Paulo.
- Paulo, permite-me que o trate assim, já percebeu que eu falo pelos cotovelos. Não consigo estar calada durante muito tempo. E continuou-o.
Sou designer de moda, estudei nas melhores casas que pude e trabalhei com excelentes estilistas em Portugal. Um dia, pensei porque não criar a minha própria marca? Em segredo, fui estabelecendo os contactos necessários, encontrei um economista amigo que me elaborou o plano de negócios, solicitei e obtive o financiamento, para colocar em marcha a minha ideia. Montei um pequeno atelier com duas excelentes profissionais que conhecia. Constituímos uma sociedade na qual eu sou responsável pela criação e pelo marketing e as minhas sócias pela produção.
Começamos a ter sucesso, depois de muito trabalho e investimento pessoal, junto das grandes marcas e hoje já temos o quadro de pessoal aumentado em mais dez colaboradoras e se esta visita correr bem, vamos ter de admitir mais gente.
O engraçado, é que eu só disse ao meu marido quando a nossa empresa estava a operar em ritmo de cruzeiro. Quis mostra-lhe do que era capaz.
Eu sei que ele não ficou aborrecido, e comentou com satisfação, com os amigos e colegas de trabalho a minha situação. Dizia, vejam lá, casei com uma mulher de negócios e não sabia. Vou avisar o chefe que ou revê as minhas condições ou largo o lugar e vou trabalhar com a minha mulher. Claro, isto dito em tom de brincadeira durante as pausas para o café, porque na realidade, ele é engenheiro de sistemas de informação e gosta imenso do que faz.
O Aníbal, o meu marido, é uma pessoa muito diferente de mim. É reservado, mas sabe sorrir, pode dizer talvez, mas raramente diz não. Nestas minhas andanças entre Porto, Lisboa, Paris e Milão, é ele que garante a assistência aos nossos dois filhos, embora, por vezes, tenha de recorrer à ajuda dos meus Pais, que moram bem perto da nossa casa.
Gosta sobretudo de ler, ouvir música e estudar desenvolvimento de software, de brincar e passear com os filhos. Mas não gosta nada da vida social que o meu negócio necessariamente implica. É nessas ocasiões, festas e cocktails, a que ele mais vezes se escusa a comparecer, mas ficará triste se eu não for. E eu vou, pois gosto de me divertir, sou uma pessoa alegre faladora e gosto de companhia. Disso já se apercebeu não é verdade?
Se me perguntar qual o segredo do sucesso, eu digo que talvez seja o desafio, que é o facto de sermos apenas mulheres a desenvolver e gerir o nosso negócio. O que muito nos orgulha.
Já percebeu, sou casada, tenho dois filhos a Madalena com 9 anos e o Filipe com 6 e moro em Gaia. Só não lhe digo a idade e não se atreva a perguntar.
Agora fale-me um pouquinho de si, se lhe apetecer, eu falo muito, mas também sei ouvir.
Paulo hesitou, pensava que história iria contar. Maria Teresa antecipou-se.
- Não me vai levar a mal, se eu tentar adivinhar o seu trabalho, pois não?

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