domingo, 26 de dezembro de 2010

UMA AVENTURA NOUTRA CIDADE

CAPÍTULO – III - MARIA TERESA

Enquanto revira momentos da sua vida recente, não lhe dera conta que bastantes passageiros já tinham entrado e ocupado a maior parte dos lugares que a sala de embarque. Mesmo assim, mas lá conseguiu arranjar um lugar para se sentar e o do lado para colocar o PC e a gabardina por cima.
Estava impaciente, por isso ficou pouco tempo sentado. Levantando-se o foi espreitar pela vidraça o movimento de um avião, que acabara de atracar.
Estava um dia ventoso e chuvoso e com forte neblina. Tudo se conjugava para um atraso do seu voo, mais do que o previsto. Tudo lhe parecia estar contra ele, o tempo sombrio, a chuva persistente, a partida retardada. Ele, que planeara dar um passeio por Paris, via-se agora confrontado com a alternativa de ficar confinado ao Hotel, fechado no quarto e vendo Televisão. Resignado, voltou para o lugar, que deixara livre, mas que entretanto já estava ocupado por outro passageiro.Encolheu os ombros, e continuou a andar de um lado para o outro, absorto nos seus pensamentos.
Deu pelo encosto do avião à manga, a saída dos passageiros, as operações de limpeza, verificação e abastecimento do aparelho. Pode ser que, afinal, seja um pouco mais rápido, pensou com alguma esperança.
Algum tempo decorrido, as hospedeiras deram início ao embarque dos passageiros.
Pegou nas suas coisas entrou, localizou o lugar que lhe estava destinado, arrumou a mala do Pc na bagageira e a gabardina e sentou-se. Era um lugar à janela o que ele detestava. Chamou a hospedeira e pediu-lhe para ver se havia possibilidade de trocar de lugar. Esta respondeu-lhe que não seria fácil, pois ainda faltavam entrar os passageiros vindos do Porto e cujo avião acabara de aterrar. Em princípio, poderá haver alguns lugares disponíveis, mas já sabe são lá para a cauda do aparelho e não lhe recomendo. Tente trocar de lugar, com outro passageiro. Há muita gente que prefere os lugares à janela. Pode ser que tenha sorte.
Entre dentes, chamou incompetente à Secretária, que nem se dera ao trabalho de lhe perguntar as suas opções.
Horas antes, no Aeroporto Sá Carneiro, Maria Teresa, procedia ao check in no avião para Lisboa com ligação a Paris. O marido apressava-a, pois ainda tinha de voltar à cidade, levar os filhos ao colégio e ir trabalhar, e com a chuva forte que caía, não augurava um retorno fácil.
- Eu bem te disse, que era melhor ter vindo de táxi, e assim não estavas nesse frenesim, mas foste tu que insististe em me trazer ao aeroporto. Por isso não te ponhas com queixinhas. Afinal só vou estar fora uma semana e vão ver que o tempo passa a correr. Aníbal, não te esqueças que a carrinha do colégio vai levar as crianças a casa da minha Mãe e depois tu passas por lá. Até te fica em caminho. Se estiveres atrasado telefona à minha mãe para ela dar o jantar aos miúdos. Quando chegar eu telefono.
Beijou e abraçou a filha de 9 anos e o filho de 6, deu um beijo apressado ao marido e, carregada com o casaco, a mala, uma maleta e o Pc mais a mala de cabine lá foi a correr para a sala de embarque.
Durante a viajem para Lisboa, apanharam vento forte, o que nunca é agradável. O comandante teve de mudar de pista de aterragem, perdeu mais algum tempo. Faltavam uns minutos para a partida do voo para Paris, de maneira que os passageiros em trânsito, tiveram de andar bem depressa e só quando entraram no aparelho puderam respirar de alívio.
Maria Teresa, com o cartão de embarque na mão e sobraçando a bagagem não encontrava o lugar. A hospedeira que estava mais perto, viu o número da cadeira, é o 8 F, minha senhora, fica ali ao lado daquele cavalheiro que está a ler o jornal. Venha comigo. Pegou na mala de cabine, abriu a bagageira, que como é habitual estava quase completa, deu um empurrão para um lado e para o outro e lá conseguiu encaixar o trolley. Pronto, minha senhora, o resto das coisas terá de as colocar no chão, debaixo do banco da frente.
Maria Teresa sentou-se, no lugar do corredor, viu que a cadeira do meio estava vazia e aproveitou para lá colocar a restante bagagem. Sentia-se afogueada pela corrida, respirou fundo, limpou algumas gotas de suor e preparou-se para a viajem.
Olhou em redor, com receio que o dono do lugar, onde colocara as suas coisas aparecesse e só ficou mais tranquila, quando assistiu ao fecho da porta. Ainda bem, pensou, não preciso de ir apertada.
O aparelho iniciou a descolagem o vizinho da janela, dobrou o jornal.
- Desejo-lhe boa viajem, disse-lhe Maria Teresa com um sorriso nos lábios.
-Ah desculpe, boa viajem igualmente para si, respondeu Paulo.
A propósito, o meu nome é Maria Teresa e vou em serviço. O senhor também?

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