sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

UMA AVENTURA NOUTRA CIDADE

CAPÍTULO – VIII – A DESILUSÃO

Pouco passava das 19,30 quando Paulo entrou no hotel onde a amiga estava alojada. Pediu para anunciarem ao quarto 314, mas na recepção informaram que o hóspede ainda não tinha chegado, porque a chave estava no cacifo. Procurou um sofá, num recanto do átrio, sentou-se e pegou numa ou duas revistas, já antigas, que foi folheando só para passar o tempo.
Deu pela entrada de Maria Teresa.
Ela subiu rapidamente para o quarto, demorou algum tempo, desceu e encontrou o amigo.
Estava distraído e não deu pela aproximação de Maria Teresa. Ela tocou-lhe no ombro, e com ar embaraçado, pediu desculpa pelo atraso.
Depois deu-lhe um beijo na face, comentando: Em França façamos como os Franceses. Chamaram o táxi e Maria Teresa deu a morada dum restaurante na Rive Gauche. Penso que irá gostar, É um restaurante genuínamente francês, simpático e acolhedor. Come-se bem, não é caro e ninguém anda a correr atrás de nós para dar lugar a outros. Podemos conversar o tempo que nos apetecer.
O restaurante tinha de facto um ambiente agradável. Escolheram uma mesa num canto da sala, longe do burburinho. Entregaram os impermeáveis ao empregado do bengaleiro e sentaram-se. Ao chefe de mesa que se apresentou com as ementas debaixo do braço, Maria Teresa encomendou para os dois. Deixe comigo, disse, vamos comer autêntica comida francesa e começamos por beber um vinho branco como aperitivo e que é excelente. Leve e saboroso.
Brindaram à amizade, tomaram um gole de vinho e Maria Teresa fixando o olhar no companheiro, exclamou:
- O Paulo disse-me que estava a mudar, lentamente, mas parece que a mudança foi profunda. E não estou a falar da sua roupa nova, que lhe assenta muito bem. Quando nos conhecemos a bordo, ainda era casado e hoje já é solteiro, ou escondeu a aliança?
Não esperava isso de si. Não ando à procura de uma aventura e o seu procedimento feriu-me. Talvez a culpa tinha sido minha e você interpretou a minha franqueza, com a disponibilidade de ir para a cama consigo, na primeira oportunidade. Enganou-se, confundiu amizade e simpatia com um vulgar engate, como vocês costumam dizer. Se não se importa fique para jantar sozinho ou procure outro tipo de companhia, porque eu vou voltar ao hotel. Durante a viagem , por simpatia, contei-lhe uma parte da minha vida. De si, recebi uma lição sobre Bancos e auditoria financeira. Fico agradecida.
Adeus, eu não merecia isso. Saiu porta fora.
Paulo, estremeceu, ficou perplexo e sem reacção. Culpava-se, porque não soubera e podias tê-lo feito, dizer que o seu casamento tinha acabado e reconhecer sua parte no final.
E agora, voltei a ficar só. Regressou penosamente ao hotel, deitou-se na cama olhando o tecto, como à procura de um sinal, ou de ideia que o fizesse reganhar a confiança perdida. Vou mandar um mail, e começou a escrever.
“Maria Teresa,
Não sei se irá ler esta mensagem até ao fim ou se, simplesmente, a apagará. Peço-lhe só dois minutos e depois decida, mas dê-me esta oportunidade. Eu tenho de lhe pedir desculpas pelo sucedido e contar-lhe a razão.
Sabe, o meu casamento já estava moribundo e eu não sabia. Pouco tempo antes da viajem, a Amélia, a minha ex- mulher, decidiu acabar, e seguir uma vida diferente. Foi tudo muito repentino. No fim de semana antes da viajem, passei o tempo a embalar as minhas coisas para poder abandonar a casa onde vivia. Fui literalmente posto na rua. Com tudo isso, nem me lembrei de tirar aliança. Tal como o meu relacionamento, a aliança era um hábito e nada significava. A minha ex-mulher acusou-me de ser casado, em part-time, e, embora me doa reconhecer, ela tinha razão. Poderia ter evitado aquela situação? Talvez, se tivesse observado os sinais, de que as coisas entre nós, não iam bem e tivesse mudado tanta coisa no meu comportamento. Não o fiz, a água não volta a passar duas vezes debaixo da mesma ponte, e por isso passado é passado.
Devia-lhe esta explicação. Não escondo que a Maria Teresa me fascinou. Tê-la conhecido foi uma lufada de ar fresco na minha vida. Não a irei esquecer. Paulo

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