É, seguramente um privilégio da idade, termos um baú cheio de recordações de Natal.
Alguns foram, como tudo na vida, mais tristes do que outros.
Quando me pergunto o que mais recordo no Natal, vou às memórias da minha infância, encontrar a festa mais simples e de maior significado.
Sentados à volta da lareira, cumpríamos a tradição das filhós e das azevias, tendendo a massa e fritando-a numa caçarola de barro, com azeite bem quente.
Éramos poucos, mas éramos todos.
Eu, que já ajudava com o rolo da massa e a minha irmã mais nova que cantava canções de Natal, acabávamos vencidos pelo cansaço e íamos dormir. Eram sonhos lindos, porque pela amanhã saíamos da cama alvoroçados, para ir à procura da prenda que o menino Jesus nos deixaria no sapato.
É lá encontrávamos um chocolate e um brinquedo, que com muita ternura nos eram dados.
O tempo inexorável, dos "todos" que éramos naquele Natal, apenas deixou três. Eu que escrevo, a minha irmã mais nova que há-de lembrar e a minha irmã mais velha, aquela cuja memória é o nosso reportório de infância.
Os que partiram, deixaram um vazio que não se preenche e aqui os lembro com saudade.
O meu Cunhado, o habilidoso e paciente fritador de filhós, o meu Pai que acabava por escolher ir trabalhar no turno que começava à meia noite, a minha Madrinha que coordenava com a sua forte personalidade todas as tarefas e a minha Mãe que era a responsável pelos serviços de apoio.
Não seria justo esquecer, que muitos outros Natais, também me deixaram gratas lembranças. Então já como adulto, Marido Tio e Pai, com outros personagens e em outros lugares, mas sempre com o mesmo espírito de alegria.
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