segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

OS CRIMES DO X




13º. Episódio
Londres, Outubro de 2008

A confissão que Madalena fizera na naquela tarde junto ao rio, fora uma surpresa que deixara Hugo sem palavras.
Começou a dormir mal e a trazer à memória os pensamentos de revolta, que ele também sentira e dos quais, fazia todos os esforços para se afastar. Ao mesmo tempo, perguntava-se, como fora possível que o destino tivesse juntado duas pessoas, com tanta dor e raiva da sociedade? Seria tudo uma coincidência que ninguém podia explicar, ou haveria algo mais?
Ele alimentava o ódio que o consumia, e tantas vezes imaginara o prazer de se vingar.
E foi esse ódio, recalcado, que o levou a contar a sua história.
Aproveitando um intervalo entre dois trabalhos e enquanto passeavam pelo “ Hyde Park”, Hugo, com o olhar ausente, confessou a Madalena:
- Sabes, não esqueci a conversa que tivemos sobre a tua família e tua vontade de fazer justiça. Eu compreendo a tua revolta porque, há coisas que não se entendem, eu também calo o grito que me vai da alma, não esqueço e não perdoarei nunca, a minha vida destroçada.
Faz uma pausa, limpou uma lágrima rebelde, ele que julgara, já não ter sentimentos para chorar, depois recomeçou.
Tudo começou numa sexta-feira, 10 de Outubro de 2003, quando sai do Banco, já noite, e me lembrei de ir ao multibanco, para levantar dinheiro. Maldita a hora em que o fiz, porque a minha vida entrou numa espiral de violência inimaginável.
Acabara de introduzir o cartão, quando um assaltante, de pistola encostada, me obrigou a levantar o máximo, pedir o saldo e me empurrou para um carro parado na avenida, de luzes apagadas e com um outro bandido ao volante. Agrediram-me com uma coronhada na cabeça, ataram-me as mãos atrás das costas, enfiaram um trapo na boca e um saco na cabeça.
Eu recuperei os sentidos e ouvi a discussão entre os dois sobre o meu destino. Um queria largar-me em Monsanto o outro, com uma voz áspera, que nunca mais esqueci, mandou que eu deveria ser preso na garagem da vivenda em construção, para que ele, de posse dos meus documentos, pudesse aumentar o produto. Ele era o chefe e o seu riso era prenúncio de morte. Ouvi o seu nome, Valdemiro.
Atirado para um buraco improvisado, manietado e sem poder ver o local, lembrei-me do que tinha aprendido nas aulas de artes marciais e consegui libertar-me. Com ajuda de uma moeda de cinquenta cêntimos que tinha do bolso das calças, desapertei os parafusos que seguravam as portas de madeira em tosco e abri a porta. O tipo perigoso tinha saído com o carro e o meu guarda era um bandido de meia tigela. Foi fácil dominá-lo; de mãos atados, boca tapada e um trapo da cabeça, encerrei-o no buraco de onde eu havia saído. Fechei a portas, deitei fora a chave e fugi, até encontrar uma estrada alcatroada, mas com pouco movimento.
Era noite escura, mas tive a sorte de encontrar um condutor que não teve medo, parou e me levou ao posto da PSP da Caparica.
Depois o piquete, que já havia assinalado aquela vivenda, como um covil de assaltantes, prendeu o que eu tinha deixado amarrado, montou uma emboscada e na madrugada, deixaram a mão ao Valdemiro.
E depois, perguntou Madalena?
- Hugo endurece ainda mais o olhar. Depois? Depois, foi a tragédia.
Mas estou tão cansado, desculpa, alguém ou dia, calo a raiva que sinto e conto-te o final.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

OS CRIMES DO X




12º. Episódio
Sábado, 14 de Novembro 2009
Eram nove horas quando o Inspector se juntou aos dois colegas que o agradavam no gabinete. Estavam a ler nos jornais as notícias do homicídio do dia anterior.
Cada jornal à sua maneira. Alguns optaram por dar mais destaque à violência do crime, com algumas fotografias e declarações de vizinhos e curiosos que encontraram no local, que falaram e apenas repetiram, o que tinham ouvir dizer.
Um outro chamava a atenção para os contornos do crime e citavam fontes, não identificadas, que afirmavam que o método e a mensagem, provas idênticas aos outros crimes anteriores, indiciavam que o crime fora cometido pelo mesmo indivíduo.
Porém, noutro jornal, o jornalista defendia a tese de que, as duas primeiras vítimas teriam sido um ensaio, para despistar um planeado ajuste de contas entre bandos rivais.
Ao fim e ao cabo estão como nós, a apalpar terreno, remata Figueiredo, atirando os jornais para cima da mesa.
Monteiro ouviu o desalento dos colegas e informou que acabara de ter um conversa com Director Geral. Nós achamos que avançamos muito, mas na realidade nem estamos de acordo quanto ao caminho. Temos mais uma semana e se não houver nenhum desenvolvimento, a equipa irá ocupar-se de outros crimes, e o caso que seguimos deixará de ser uma prioridade.
Por isso, temos pela frente uma semana decisiva. Figueiredo e o Frederico dividam os casos listados. Só vale a pena se forem crimes violentos em que as vítimas ou familiares muito próximas, sejam contactáveis. Eu vou tentar encontrar uma ligação com o traficante assassinado.
O Inspector deixou para os colegas a escolha, saiu do gabinete com o semblante mais carregado do que lhe era habitual. Ele sentia que tinha de ir pedir ajuda, mas isso sempre um deixava um pouco constrangido.
No decorrer das investigações que já tinham conduzido, Monteiro conheceu gente que, de uma forma indirecta mas bem informada, conheciam os meandros do crime. E foi a uma dessas fontes que decidiu recorrer. Não eram citados nomes, conheciam-se e, mesmo que em campos opostos, havia respeito entre os dois.
Num gabinete, dissimulado atrás de um biombo de vidro opaco, num escritório amplo com mais de uma dezena de funcionários, era ali que o Empresário recebia o Inspector. Estava à porta do gabinete, convidou-o para a poltrona, ao lado de uma pequena mesa com bebidas, comentando: - Estava a ver que o meu caro amigo não me visitava para uma bebida. Bebe o costume?
Monteiro, deixa-se cair no sofá, aceita a bebida, olha nos olhos o interlocutor e dispara:
- O tipo que foi despachado ontem no prédio em Telheiras, eram alguém importante para ser silenciado?
- Meu amigo, o cavalheiro era um criminoso fugido à polícia de vários países. Era esperto e violento. Não era importante, mas fazia por parecer.
Pertenceu à máfia Russa, mas teve problemas. Eu estou convencido que ele estaria condenado a desaparecer da circulação. Mas atenção siga outro caminho, ele não foi morto por razões de negócios ou por concorrentes. Alguém a quem ele fez muito mal, e houve tanta gente, despachou-o e ainda que bem que o fez.
Quer aceitar um conselho meu? Procure o passado. Ele fez mal a muita gente e nunca foi sequer incriminado. Vá por aí, é o caminho que deve seguir. Pegou num papel escreveu um nome e um número de telemóvel e deu-o ao Polícia. Só para sua orientação. Esta pessoa conheceu bem esse cavalheiro. Desligou-se quando na verdade o conheceu. Safou-se porque lhe fez constar que tinha entregue a pessoa de confiança, um dossier onde o incriminava numa série de crimes.
Presumo que essa pessoa de pessoa de confiança é o meu amigo. Estou certo, perguntou o Polícia?
Não interessa. Gostei de o ver e volte sempre, nem que seja para saborear este “scotch” que a mim e a sim, tanto agrada.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

OS CRIMES DO X




11º. Episódio
Londres, Setembro 2008

Madalena e Hugo tinham partilhado o alojamento, mas com o estudo e a discussão dos projectos, conclusões e apresentação para avaliação, não tiveram tempo, nem oportunidade, para se conhecerem melhor. Tinham uma boa convivência, falavam não só do trabalho que estavam a fazer como também do futuro. Do passado nem uma palavra.
Até que em meados do mês, após terem apresentado um estudo avaliado com excelente, decidiram fazer uma pausa, passear ao longo da margem do rio, aproveitando o tempo convidativo.
Caminharam em silêncio, até que Madalena, encontrando um banco vazio, se sentou, dizendo:
- Hugo, nós vamos ficar juntos por três meses, depois cada um irá regressar ao seu dia a dia e, provavelmente, não nos voltaremos a encontrar. Eu gostava de te contar uma história, se tiveres disposto a ouvir. Hugo acenou que sim, aproximou-se e o seu olhar teve um lampejo de luz como se, naquele momento, tivesse sentido o cair das amarras com que escondia os seus segredos.
- Madalena, sem nunca fixar os olhos do colega, falou do drama da família. Do Pai que vivia ainda, mas num outro mundo que só ele conhecia; da Mãe que se refugiava entre a religião e as visitas ao cemitério para rezar junto do túmulo da filha; e eu, que nunca me perdoei por ter optado por estudar em Londres, por ter estado ausente nos momentos, em que a minha presença poderia ter evitado uma tragédia.
Sim, e a voz ficou mais fraca e algumas lágrimas escorreram pelo rosto, eu poderia ter evitado.
A minha irmã tinha dezasseis anos quando eu viajei para Londres. Era uma rapariga muito bonita, alegre, boa aluna, mas muito ingénua. Entrou na Faculdade para cursar medicina.
Depois não resistiu aos perigos nem aos apelos dos colegas mais vividos, começou a sair e nem sempre com as melhores companhias.
A minha Mãe nunca me disse nada, das noites em que ela não regressava a casa, dos comportamentos algo estranhos e até agressivos. Apenas algum tempo depois me contou, que a Maria Luísa tinha abandonado a casa e tinha ido viver com o homem por quem se apaixonara.
Interrompi as aulas e voltei. A Maria Luísa recusou falar comigo sobre o companheiro, disse-me estar muito feliz e nem admitia voltar à Universidade. Mas os olhos cavados e sombrios fizeram-me desconfiar de algo, droga.
Procurei antigos colegas que me contaram, o que a minha irmã não quis dizer. Ela vivia com um traficante sem escrúpulos de nacionalidade estrangeira.
Contratei um detective, que me elaborou um relatório completo e juntou fotografias. Fiquei a saber tudo sobre o indivíduo.
Depois cometi um erro. Fui à Polícia pedir ajuda.
O fulano, creio que me chama “Yuri”soube, levou a minha irmã para uma casa em Vigo e misturando drogas duras com prostituição, vingou-se da minha denúncia.
No último assomo de energia a minha irmã fugiu de Vigo e regressou ao Porto. Não pediu ajuda a ninguém, queria regressar a casa por si só. Morreu num canto escuro no Bairro do Aleixo, com um overdose de heroína manipulada.
Parou por uns momentos, olhou para Hugo e com a voz dura e áspera concluiu:
- Sobre o caixão de minha irmã, naquela tarde cinzenta do mês de Outubro, jurei que encontraria forma de matar o monstro. E sonho e planeio desde esse tempo, a forma de o executar pelas minhas próprias mãos.
E sei, que mais certo o mais tarde, o hei-de conseguir.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

OS CRIMES DO X




10º Episódio
Dois anos antes, em Londres
Setembro de 2008

Hugo Figueira fora escolhido pelo Banco onde trabalhava, para fazer uma pós-graduação na London School of Economics. Sabia que obter a pós graduação lhe exigiria muito, apesar de a área escolhida lhe ser familiar. Já tinha trabalhado em análise de investimentos e tinha-se actualizado com o que de mais recente havia sobre a matéria.
Era um homem de trinta e poucos anos, alto, enérgico, raramente lhe viam um sorriso e mantinha sempre alguma distância.
Os colegas mais próximos respeitavam a sua maneira de ser, porque conheciam a sua tragédia pessoal.
Para quem o não conhecia, ele era uma pessoa de quem não se gostava ao primeiro contacto. E Hugo sentia-se bem assim, vivendo o mundo que criara e que não compartilhava, facilmente.
Tinha 34 anos de idade, vivia só e algumas relações amorosas não passaram de breves fugas e morreram sem ninguém saber porquê.
Por isso, estar em Londres, durante algum tempo, só lhe iria fazer bem. Era a sua convicção.
Na Universidade, naquele dia de apresentação dos candidatos, encontrou alguns colegas que já conhecia, uns por terem estado juntos em seminários e até um ou dois com quem havia colaborado em projectos conjuntos. Mas os outros, com muitas raparigas, eram perfeitos desconhecidos.
Os professores dividiram os alunos de uma forma aleatória. Não aceitaram a sugestão para que os grupos de trabalho fossem escolhidos pelos próprios. Optaram por sortear a constituição de cada grupo, fixaram em dois o número máximo, que teriam de se organizar, para responderem pelo trabalho de grupo.
Hugo ouviu anunciar o seu nome e levantou-se. O nome que foi sorteado a seguir e iria ser a sua parceira, foi de Madalena Pires, que não conhecia. Olhou e viu Madalena, sentada da última fila, acenando-lhe com um lugar vazio ao seu lado e Hugo foi sentar-se nele.
Quando os professores concluíram a constituição de cada grupo, informaram que a trabalho começaria, no dia seguinte. Seriam aulas pela manhã, tarde para estudar e desenvolver projectos e cada semana iria ser feita a avaliação do grupo.
Madalena e Hugo saíram juntos, encontraram um café quase vazio, entraram para se conhecerem e coordenarem o trabalho conjunto.
Hugo apresentou-se:
– Não tenho muito para dizer, como você mesmo verificará, não serei um companheiro muito popular, porque não gosto de me expor e não tenho muita auto-estima. Em termos de entrega ao trabalho e colaboração pode contar comigo.
Enquanto bebia um daqueles cafés enormes, Madalena pensou um pouco e respondeu:
- Sabes Hugo, nós deveremos andar pela mesma idade e por isso, é tu e não você, valeu?
Eu não trabalho num Banco mas sim numa empresa de capital de risco. Sou natural do Porto onde ande vivem os meus Pais. Foi lá que fiz o liceu e depois vim estudar para Londres. Foi uma aventura, não sabia bem o que fazer e acabei por me deixar fascinar com os números e cursei Finanças.
Sou solteira, não digo boa rapariga, porque também tenho um feitio difícil. Tu vais ver.
Eu não sei se já encontraste um alojamento. Se não tens nada definido, eu moro num pequeno apartamento, na margem esquerda do rio, a localidade chama-se Stockwell.
É um lugar calmo e temos transportes perto.
Proponho-te vires viver para o apartamento. Assim dividimos as despesas. O que é dizes?
Hugo não sabia o que responder, estava a tentar encontrar uma escusa mas, Madalena notando o embaraço, sorriu dizendo:
- Olha lá, não me interpretes mal. Convidei-te para partilhar o apartamento mas não a cama. A casa tem dois quartos independentes.
Hugo esboçou um sorriso, coisa rara, e concordou com a sugestão.
Sabes Hugo,diz Mariana em tom grave, eu já passei por momentos difíceis, e que ainda guardo. Imagino que tu também.
Quem sabe, a convivência nos ajudará.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

OS CRIMES DO X




9º Episódio
Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009 – 17 horas

O Inspector Monteiro foi o primeiro a chegar. Estava a reler um relatório e tão embrenhado na leitura que, aparentemente, não parecia ter-se apercebido da entrada dos colegas. Estes foram ocupar os lugares habituais e olhando para o chefe, mantiveram-se em silêncio.
Monteiro acabou de ler a última página do documento, tirou os óculos que limpou com cuidado e dando mostras de estar inquieto. Fez uma pausa e com a dúvida patente no rosto, comentou:
- Sim senhor, ou alguém anda a brincar connosco ou a nossa teoria de crime por vingança, não cola. Vejam o currículo da vítima desta manhã, e digam-me se eu estou enganado.
Figueiredo deu o relatório ao Frederico, dizendo que era melhor ser ele e ler em voz alta porque, uma leitura serena, vai ajudar a limpar arestas.
Frederico começou a ler, pausadamente como lhe tinham pedido.

“Identificação:
Yuri Marchenko, morador no nº. 86, 8º. Andar, na Rua David Ferreira em Lisboa. Também conhecido por Yuri Montour, com residência na cidade do Porto mas em local não identificado.
Segundo o SEF é oriundo de uma das antigas Repúblicas Soviéticas, mas usa passaporte Comunitário emitido na Bélgica, onde viveu e casou há algum tempo atrás.
Diz ter trinta e oito anos de idade, aparenta ter mais de um 1,80 metros de altura e ter uma compleição física notável.
Actividade: Em 2005 fixou-se em Portugal, saindo da Bélgica por suspeita de estar envolvidos em negócios pouco claros.
No nosso País os serviços começaram a ouvir falar dele em 2007, altura em que é conhecido por ligações a gente poderosa no mundo da noite.
É suspeito de tráfico de mulheres para os regimes do Golfo; tráfico de armas e já com algum peso no mundo do tráfico de droga.
Suspeita-se que pertence á máfia russa mas estabelecida na Hungria ou República Checa;
Julga-se ser ele o proprietário de casas de alterne em diversas zonas do norte do País, embora tenha o cuidado de permanecer na sombra, aparecendo como responsáveis, pessoas de sua confiança.
Nunca foi incriminado.
Circula entre Lisboa, Porto e Algarve num veículo Mercedes, preto, modelo 63 AMG e com matrícula Belga RHJ 9274.
É acompanhado por um motorista e por um guarda-costas, ambos de nacionalidade Portuguesa.”
Frederico ia continuar a ler mas o Inspector interrompeu, porque a parte fundamental estava lida. O resto, dizia, são opiniões subjectivas.
Pronto, foi este cidadão “exemplar” que foi despachado esta madrugada. Espero os vossos comentários. Figueiredo és o primeiro:
- Eu em boa verdade, mantenho o que já disse anteriormente; acho que algum concorrente limpou o russo, ou belga, eu sei donde é que ele veio, e aproveitou para camuflar o crime, aproveitando o impacto dos notícias sobre o "vento divino", e os comentários e opiniões emitida por alguns entendidos. Se for assim, talvez o nosso trabalho seja mais fácil.
-Frederico e você:
Eu não dou muita importância a envergadura da vítima. De surpresa e com um garrote bem colocado e com as facadas no abdómen, ele não teria hipóteses.
Não sou muito experiente, vocês sabem, mas quando se trata de ajude de contas entre criminosos organizados, ele não pensam em camuflagem. São dois ou três tiros e acabou-se.
Então qual é a tua tese, pergunta Figueiredo?
- Eu acho que devemos continuar a seguir a pista do crime por vingança. O currículo dele é inconclusivo, mas deve ter feito mal a muita gente. E depois a tatuagem pode dizer muito.
Eu concordo com o que o Frederico disse, e lá vamos chegar a executores frios e muito inteligentes. Mais, para mim, este era um alvo, rematou Inspector.
O que me pergunto é se os predadores vão ficar por aqui?

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

OS CRIMES DO X




8º. Episódio

Sexta-feira, 13 de Novembro de 2009 – 10 Horas

Os três investigadores chegaram ao local do crime. A Polícia tinha estabelecido um cordão de segurança à volta do prédio de oito andares, situado num cruzamento entre dois ruas de muito movimento.
O Subchefe Coelho da PSP, oficial que tinha comandado as operações, informou que tinha isolado o oitavo andar, o elevador B, e também o monta-cargas, que assinalou como ascensor C que tinha, aliás, acesso pela garagem. Por enquanto os inquilinos só podiam utilizar o elevador A.
O Inspector Monteiro convida o subchefe a seguir com eles no elevador A.
- Mas, virando-se para o Frederico decide: -Vais fazer o percurso pelas escadas desde a garagem até ao oitavo andar. É o mais novo e tens muita perspicácia aos detalhes. E pode ser um detalhe o que no ajudará a entender como tudo aconteceu.
Enquanto subiam no ascensor A, o Subchefe Coelho confirmou que a vítima tinha sido estrangulada no 8º piso, na zona de acesso do ascensor de serviço. Foi apanhado mesmo à porta de casa.
Chegados ao local, os inspectores reconheceram o cenário. A vítima estrangulada por garrote. Mas desta vez houvera resistência, e os arranhões na porta eram prova. Olha Figueiredo, só o garrote não chegou para o matar. Olha as marcas feita por instrumento cortante no abdómen, ele foi esfaqueado duas ou três vezes. Por isso o sangue que escorreu para as escadas. Desta vez o alvo, não foi escolhido por acaso.
E porque não ter sido um homicídio e por outras razões? Alguém pode ter imitado os casos conhecidos, que até foram assunto de notícias, pergunta Figueiredo?
Repara que até que o X está marcado com mais força e temos de comparar o bilhete, caído junto do cadáver. Não me admiraria se as letras não tivessem sido escritas do mesmo modo.
Entretanto, Frederico chegou ao patamar, informando que não encontrara de suspeito. Não tenhamos dúvidas, o criminoso conhecia o prédio, utilizou o ascensor C para subir e para descer. O elevador foi vistoriado e tiradas impressões digitais, mas, é o mais certo é só encontramos dos moradores, concluiu.
Frederico na tua opinião foi o elevador de serviço a porta de entrada e de saída. E os outros ascensores?
Quanto aqui cheguei, chamado pelo inquilino do 7º. E, que foi em quem encontrou o corpo, pude confirmar: O elevador B estava avariado e parado no sexto piso, o monta-cargas, elevador C, estava imobilizado no 8º. Piso, com o botão desligado
Eu ouvi um dos inquilinos, que deixou o carro na garagem cerca das 3 horas da manhã. O elevador não funcionava, teve de subir ao r/c para apanhar o aparelho para subir ao quinto piso, onde mora. Só o elevador A funcionou, esclareceu o Subchefe da PSP.
Tudo bate certo, conclui Monteiro. Vejam que a saída do elevador A fica mesmo na esquina que dá para o monta-cargas. Eles, tiverem de ser mais do que um, estavam ali escondidos e apanharam a vítima pelas costas.
Desceram e Monteiro, virando-se para o Subchefe Coelho, diz:
– Claro que os vizinhos não se aperceberam de nada?
Não Inspector. Mas ali no bloco em frente mora um casal de meia-idade e o marido sofre de insónias pelo que passa muito tempo à janela. Ele disse-me que por volta das 5 da manhã viu parar um carro à porta do nº. 86. O motor ficou a trabalhar e saíram duas pessoas até à porta de entrada. Depois uma entrou a outra voltou ao carro e arrancaram.
E assegura que este movimento era frequente, já o vira muitas vezes.
Pelos vistos o que ele viu foi a vítima e os guarda-costas.
Figueiredo, vocês riram-se do pressentimento, e aqui está ele. Numa sexta-feira 13, e pior que isso, o avolumar das dúvidas, ou talvez não?
Confirmem os dados sobre a vítima e à tarde falamos no gabinete.
Estão aqui os jornalistas, mas não há comentários da nossa parte.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

OS CRIMES DO X




7º. Episódio
Sexta-feira, 13 de Novembro 2009 – 8 horas
O subinspector Figueiredo entra no gabinete e o chefe lá se encontrava. Bom dia, espero como teu amigo, que tenhas tido algum descanso. Mas o teu aspecto, não me garante que assim tenha sido. Estarei certo?
Sabes meu amigo, quando entramos numa casa sem vida, sem choros e gritos de crianças, sem o beijo amigo da companheira, é como se estivéssemos num quarto escuro, onde a solidão nos faz doer, e nos quer aprisionar para sempre. Falta o ar, queremos fugir daquele buraco escuro, e o corpo está inerte. Ou dormimos logo ou é mais uma noite de insónia. Foi o que aconteceu esta noite. Assim vim logo pela manhã.
Olha Monteiro, eu já te alertei para os riscos que corres. Nada mais posso fazer mas, pela última vez te digo, esquece a Mariana, ela já escolheu o seu caminho. Faz o mesmo. Aproveita os dias que passas com os teus filhos. Fá-los sentir companheiros e alegres por estarem com o Pai e não, por nunca ser, sentirem que os dias que te vsitam, servem apenas para compartilharem as tuas dores. Ou vais acabar por os perder, como perdeste a mãe.
Agora falando de trabalho. Eu e o Frederico passamos a parte da noite a passear nas zonas conhecidas da cidade. Vimos muitos carros grandes, de luxo até, seguimos um ou outro mas não encontramos nada de suspeito.
E tu vejo que estiveste a ver cassetes. E então?
Estive para passar o tempo. Mas olha esta imagem, este carro escuro grande, parado no parque da estação de serviço. Não se vê grande coisa mas parece o vulto de alguém que sai da viatura e começa a andar para a saída. Não achas nada estranho?
Passa outra vez, quero esclarecer uma coisa. Para. Aposto que não é o vulto de uma só pessoa, são duas pessoas muito juntas e só num ângulo é que dá para perceber.
Também reparaste? Para mim isso quer dizer que o assassino e a vítima caminhavam lado a lado e que a morte só foi concretizada na carrinha ou nas imediações. Reparaste que o vídeo tem a hora marcada. São precisamente 1 hora e 45 minutos do dia 16de Outubro de 2009.
A porta abriu-se e Frederico entrou. Bom dia nem esperaram por mim e pelas vossas caras vê-se que descobriram alguma coisa interessante.
É verdade, olha para esta imagem agora parada. Não vês um vulto a sair do carro estacionado no parque e parecendo levar uma pessoa? A bem ou a mal, mas foram juntos para a estrada.
Eu vejo melhor no computador. Vou copiar a disquete e ampliar. Cá estão os vossos suspeitos. Como podem ver se eu fizer zoom, das pessoas que saíram uma agarrava a outra, mas surpresa, vejam, ficou outra pessoa ao volante.
Parece que o nosso amigo tem um cúmplice.
O telefone toca. Figueiredo atendeu, ouviu, agradeceu e desligou.
Amigos, temos outro cadáver.
Afinal o meu pressentimento estava certo, e era capaz de apostar que este estará no mesma zona.
Então Chefe, não apostes, porque perdes. Prepara-te para uma surpresa. Desta vez a vítima vivia no último e único andar num edifício de Telheiras. Um andar de luxo. Já não falamos de criminosos de meia tigela. Mas foi executado do mesmo modo, garrote, e sinal gravado no peito, e ficou mesmo à porta de casa.
Ligaram-me dos homicídios, o cadáver foi encontrado às 9 horas da manhã, por um vizinho que apanhou um valente susto.
Figueiredo diz ao teu amigo que nós vamos já de seguida e que seremos nós a tomar conta da ocorrência. Não quero devassas no local do crime.
Não esqueças de tomar nota do endereço porque a zona não é fácil.
Vamos embora e ver que desafio é que o nosso “amigo” nos deixou.